quinta-feira, 5 de maio de 2011

DEUS E A ALIANÇA DA GRAÇA: UMA BREVE REFLEXÃO SOBRE A HISTÓRIA DE JUDÁ



Em Jeremias 32:40, encontra-se a seguinte promessa de Deus para nós: “Farei com eles aliança eterna segundo a qual não deixarei de lhes fazer o bem; e porei o meu temor no seu coração, para que nunca se apartem de mim”.
            Tomando a Bíblia inteira como base, pode-se perceber que o Senhor é Deus que trabalha com alianças, com pactos. É assim que, desde o princípio, Ele se relacionou com o homem. Ele fez um pacto com o primeiro homem, Adão; fez aliança com Noé, segundo a qual não destruiria a terra novamente com o dilúvio; fez aliança com Abraão, de modo que a partir dele seriam abençoadas todas as famílias da Terra, continuando a mesma com Isaque, Jacó e seus descendentes; fez aliança com o Rei Davi, prometendo que nunca faltaria descendente dele que se assentasse no trono de Israel; prometeu o Messias para a humanidade decaída.
            Outra característica marcante no relacionamento de Deus com o homem é que suas alianças sempre tomam como base a graça. A graça é um favor imerecido; é a bondade que Deus derrama independente de nossos méritos.
            No nosso caso, não temos mérito nenhum diante de Deus. Isaías é enfático em dizer que a nossa justiça é como “trapo de imundície” (Is 64:6). Não merecemos, contudo, Deus resolveu nos oferecer a salvação pela pessoa de Jesus através da graça (Rm 6:14-23). É um “dom gratuito” a nós concedido. Ele resolveu abrir-nos um caminho de salvação e decidiu nos amar incondicionalmente sem se importar qual tenha sido a nossa história de pecado e sofrimentos.
            Judá é um grande exemplo de que Deus age com graça, oferecendo-nos um plano de restauração de nossas vidas e a salvação na pessoa de Jesus.
            O livro de Gênesis conta a sua história.
            Judá era filho de Jacó. E após Judá e seus irmãos terem vendido José (Gn 37), o primeiro resolveu se afastar de seus irmãos, tendo se casado com uma mulher Cananéia e gerado filhos (Gn 38:1-5).
Judá possuía uma nora chamada Tamar, a qual era esposa de seu primogênito, que morreu (Gn 38:6-7).
Para cumprir a lei do levirato, Judá deu seu segundo filho a Tamar, o qual também morreu (Gn 38:8-10).
Ele tinha um terceiro filho, o qual pela lei deveria ser entregue para desposar Tamar, mas Judá não o entregou, pelo que ela se vestiu de prostituta cultual e se valeu do disfarce para manter relações sexuais com ele, concebendo e dando a luz a gêmeos, trazendo vergonha para a sua casa (Gn 38:11-18, 24-30).
Analisando a vida de Judá, pode-se tirar as seguintes conclusões:
1- Ele não honrou o princípio que o gerou: Judá tramou contra a vida de seu irmão José, privando-o de uma vida digna com sua família, desonrando seu pai Jacó com tal atitude; separou-se de sua casa e se casou com uma mulher pertencente a um povo que Deus tinha ordenado a Israel que os eliminasse quando conquistassem a Terra Prometida em virtude de sua idolatria e os costumes imorais (Dt 7:1-4).
A honra é o princípio da prosperidade na vida de um homem. Deus nos ordena que honremos pai e mãe (Ex 20:12); nossas autoridades (Rm 13:1-7); nossa liderança espiritual, a qual zela pela nossa alma (ex: pastores, discipuladores) (Hb 13: 7 e 17). Somente prosperaremos se estivermos honrando as pessoas que nos sustentam material e espiritualmente.
2- Judá fez uma aliança com a imoralidade: casou com uma mulher que Deus não queria, uma cananéia, e ainda cometeu adultério, envolvendo-se com prostituição, enfim, deu vazão para as paixões da carne. Somente poderemos viver uma vida de santidade diante de Deus se rompermos com as imoralidades que temos cultivado.
3- Ele violou a lei de Deus: não entregou seu terceiro filho para que se cumprisse com a lei do levirato (Dt 25:5-12). Isso mostra a necessidade de nossa estrita obediência aos mandamentos de Deus para que possamos ser homens prósperos, abençoados e felizes.
4- Ele foi omisso: não assumiu as suas responsabilidades para com sua nora e colheu graves conseqüências pelos seus atos. Ele deixou o seu selo, seu cordão e seu cajado nas mãos da “prostituta”, ou seja, ele entregou nas mãos da imoralidade sexual tudo aquilo que simbolizava a sua dignidade, honra, autoridade como líder, hombridade, trazendo vergonha sobre si e sua casa (Gn 38:18). A pergunta que se faz é: nas mãos de quem temos deixado a nossa dignidade e a nossa pureza sexual? Temos que romper com os relacionamentos e práticas que desagradam a Deus e, somente a partir daí, poderemos pensar em alguma restauração para as nossas vidas. Temos que assumir as responsabilidades pelos nossos pecados e não colocar a culpa em outros a fim de que alcancemos misericórdia diante do Trono de Deus.
5- Arrependimento e confissão de pecados são fundamentais para uma nova oportunidade de relacionamento com Deus: mesmo diante de um quadro tão grave de pecado, Judá admitiu, quando confrontado por Tamar, que estava errado e que deveria ter cumprido a lei de Deus. A Bíblia é categórica em afirmar que ele nunca mais a possuiu sexualmente depois disso, o que mostra um arrependimento dele em relação a este fato (Gn 38:26).
Judá também restaurou seus laços com a família e o relacionamento com seus pais e irmãos, inclusive com José. Toda a família de Jacó voltou a viver unida (veja Gênesis, capítulos 44 ao 46). Ele resgatou a unidade e o perdão. Temos que seguir seu exemplo e lutar pela restauração de nossas famílias, liberando perdão e voltando a ter comunhão com os nossos, vencendo as feridas do passado.
Judá também mostrou integridade, nobreza e caráter ao se oferecer para ficar preso no Egito no lugar de seu irmão Benjamim a fim de que seu pai não morresse de tristeza (Gn 44:14-34). Ele honrou seu pai com o que tinha de mais precioso: a sua vida e liberdade. Ele resgatou o princípio da honra.
Após esta trajetória de arrependimento, Judá fez a sua parte e efetuou os consertos que se fizeram necessários em sua vida, a tal ponto que seu pai Jacó o abençoou nestes termos (Gn 49:8-12):
Judá, teus irmãos te louvarão; a tua mão estará sobre a cerviz de teus inimigos; os filhos de teu pai se inclinarão a ti.
Judá é leãozinho; da presa subsiste, filho meu. Encurva-se e deita-se como leão e como leoa; quem o despertará?
O cetro não se arredará de Judá, nem o bastão de entre seus pés, até que venha Siló; e a ele obedecerão os povos.
Ele amarrará seu jumentinho à vide e o filho da sua jumenta, à videira mais excelente; lavará as suas vestes no vinho e a sua capa, em sangue de uvas.
Os seus olhos serão cintilantes de vinho, e os dentes, brancos de leite.

 Jacó profetizou para Judá uma unção de liderança, de unidade, de honra, de conquista sobre os adversários, de governo, de excelência, de prosperidade.
A vida de Judá nos mostra que a graça de Deus transforma de forma definitiva e radical a vida de uma pessoa.
Para que nós possamos ser lavados pela graça de Deus e desfrutar da aliança da salvação que encontramos em Jesus Cristo, temos que dar esse importante passo do arrependimento e confissão de pecados e ter ousadia para efetuar as mudanças pessoais em nossas vidas, andando em retidão diante de Deus, dependendo dEle a cada dia e, principalmente, amando-O de todo nosso coração.
Judá, pela lei de Moisés, merecia a morte em razão dos pecados que praticou (Lv 20:10-12), mas se arrependeu e encontrou a graça e a misericórdia de Deus a tal ponto que foi de sua tribo que saiu o rei Davi e o nosso Senhor Jesus Cristo.
A graça de Deus foi tão profunda que o Senhor Jesus saiu da descendência de Perez, um dos gêmeos que foi fruto do adultério e da prostituição com Tamar.
Aos olhos naturais e seguindo os méritos desse mundo, José era o filho mais indicado para que saísse o Messias. Ele sempre foi fiel a Deus, sendo honrado, justo, puro sexualmente, enfim, um homem cheio de virtudes. Contudo, a soberana vontade de Deus escolheu Judá.
A descendência de José não seguiu os caminhos de seu pai.
A tribo de Manassés, filho de José, ficou com um legado de divisão (Js 13:29) e uma casa desunida não pode subsistir. Isto nos mostra a necessidade de unidade no corpo de Cristo para que possamos levar a cabo o plano de Deus.
A tribo de Efraim, o outro filho de José, é símbolo de rebeldia e desobediência a Deus (Os 4:17, 7:8).
Diz o Salmo 78:67-68: “Além disso, rejeitou a tenda de José e não elegeu a tribo de Efraim. Escolheu, antes, a tribo de Judá, o monte Sião, que ele amava”.
Assim como a graça de Deus alcançou Judá, também pode nos alcançar e mudar a nossa vida não importando qual tenha sido o nosso passado. Deus tem um plano de restauração para cada um de nós e pode nos usar poderosamente para levar estabelecer o Seu reino aqui na Terra e levar a Sua graça a outros, ou seja, proclamar o Evangelho da paz e a salvação de vidas.
Temos que reconhecer que todas as formas e prazeres que temos recorrido para preencher o vazio da nossa alma não são suficientes para nos trazer a verdadeira felicidade e nos voltarmos para o Senhor em arrependimento e fé e, assim, seremos verdadeiramente felizes e prósperos, desfrutando da paz e de um relacionamento sincero com Deus e de uma vida restaurada. Deus mudará as áreas de nossa vida que nos trazem vergonha e sofrimento e fará com que seus filhos caminhem em liberdade. Deus nunca deixará de nos fazer o bem e a aliança que ele tem conosco na pessoa de Jesus não será revogada já que é eterna.
Que Deus nos abençoe a experimentar essa verdade.



Pablo Luiz Rodrigues Ferreira
Elaborado em 10.08.2009            

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