segunda-feira, 27 de junho de 2011

A UNIDADE DO CORPO DE CRISTO: REFLEXÕES EM EFÉSIOS 4:1-16



         Nos dias atuais, percebe-se que a cada dia se cumpre o quadro apontado pelo apóstolo Paulo em 2 Timóteo 3: 1-5: uma humanidade repleta de maldade e egoísmo, sobrecarregada pelas consequências do pecado, andando sem referenciais de autoridade e paternidade, sem identidade, sem destino e, o pior de tudo, sem amor.
         Jesus assim declara em Mateus 24:12 a respeito dos últimos dias: “E, por se multiplicar a iniquidade, o amor se esfriará de quase todos”.
          Uma sociedade inimiga de Deus, que anda por seus próprios caminhos, carregando o peso dos seus enormes fardos e aumentando a faixa de seus “intocáveis” (ex: doentes, homossexuais, prostitutas, abusados, viciados, órfãos, mendigos, pobres, idosos, deficientes físicos e mentais, dentre muitos outros que tachamos como problemáticos ou repugnantes).
         No meio de tempos terríveis, a Igreja do Senhor mais do nunca é desafiada a resplandecer o caráter de Cristo a fim de resgatar os perdidos e tratar de suas feridas como Ele tratou: em amor.
         Para tanto, agir com unidade é fundamental, concentrando esforços e recursos para as boas obras, as quais Cristo nos predestinou desde antes da fundação do mundopara que as fizéssemos (Ef 2:10).
         Mas, o que se observa nos dias de hoje, é que nunca a igreja esteve tão desunida e despida do caráter de Cristo. Crentes que não amam, não perdoam, não têm identidade, não têm destino, não têm propósito, não são nada mais do que aquilo que ocupa um banco de templo, uma massa física inoperante para o reino de Deus, que não estão dispostas a pagar o preço para a reconciliação em todas as áreas de sua vida, resultando em uma série de pessoas que não experimentam uma vida avivada pelos frutos e dons do Espírito Santo.
         Não se pode ignorar a realidade dos dias de hoje: o inferno está unido como uma milícia, armada até os dentes para destruir a vida das pessoas, para arrasar as nossas famílias, para mutilar as nossas crianças, degradar os nossos jovens e adolescentes e construir uma geração de adultos inseguros, irresponsáveis e egoístas, sem conhecimento e experiência do verdadeiro amor, o amor do eterno Pai.
         Estamos ocupados muitas vezes em aprender a Palavra de Deus, de acordo com a nossa doutrina, guardamos para nós e muitas vezes desenvolvemos uma mentalidade ácida e crítica em relação às demais denominações.
         Esquecemos que o evangelho é vivido na simplicidade e em amor e para um resultado útil: uma fé operosa e transformadora da realidade emque vivemos, a fim de ganharmos os perdidos para Jesus e estabelecer o Reino de Deus, através de nosso testemunho pessoal.
Não lembramos da realidade de que nada vale mais do que o fato de que o amor e o perdão que podemos liberarpodem transformar a vida daqueles que estão ao nosso alcance. É algo que dinheiro nenhum pode pagar.
Temos levado chicotadas todos os dias não por causa do nosso testemunho em Cristo, mas pela falta de testemunho pessoal.
O texto que se toma por base para se expor sobre a unidade cristã é a Carta de Paulo aos Efésios, Capítulo 4, versículos 1 a 16.
A epístola aos Efésios foi escrita pelo apóstolo Paulo não para corrigir algum erro doutrinário específico, uma conduta moral reprovável ou combater alguma heresia, como se percebe, por exemplo, nas cartas aos Coríntios, mas visa, sobretudo, instruir os crentes nas verdades mais sublimes do Evangelho e levá-los a uma fé madura e operosa, dentro de uma formatação do caráter e das virtudes cristãs a fim de que os mesmos pudessem andar de modo digno com o chamado de Deus (v.1).
Discorrer sobre unidade é ao mesmo tempo fácil e difícil, porque tudo no evangelho é unidade: unidade na fé, no amor, no serviço, no destino, no caráter, nas virtudes; partilhamos unidade até nas provações e tentações a fim de que sejamos aperfeiçoados.
Apenas para situar o leitor, abordar-se-á a unidade sobre três ângulos: a unidade na identidade, no amor e no serviço.
Unidade na identidade
Este trecho da epístola nos representa como o Corpo de Cristo, mostrando que temos uma unidade orgânica, embora diversas sejam as funções dos membros. Temos o mesmo Senhor e a mesma fé nEle (v.5), o mesmo Espírito Santo nos guia e nos capacita e nos dá uma mesma esperança (v.4).
Todos um dia recebemos o mesmo chamado para fazer parte da família de Deus, tendo Ele como nosso Pai (v.6) e andar de modo digno do chamado que recebemos (v.1) e proclamar ao mundo sobre Ele e com quão grande amor Ele nos amou, entregando Jesus para morrer por nós quando ainda éramos pecadores e condenados ao inferno a fim de nos dar uma nova vida abundante e eterna, concedendo-nos a sua graça e misericórdia (v.7).
Essa é uma verdade tão poderosa que precisamos de uma busca intensa para que o Espírito Santo aplique-a em nossos corações a fim de que ela destrua as mentiras de Satanás contra nós, tendo em vista que a grande arma do inimigo tem sido abortar a nossa identidade e destino, fazendo-nos ter uma existência vazia, sem direção, cheia de dúvidas e inseguranças.
O adversário tem investido pesado em retirar de nós os vínculos de referência familiar, de paternidade, de amor, de acolhimento, já que todos esses referenciais nos conduzem ao amor de Deus.
A grande verdade é que somos preciosos para Deus e a nossa vida custou o sangue vertido de Cristo e a morte vergonhosa na cruz.
O plano de Deus é nos reconciliar com Ele para que possamos ser verdadeiramente livres e experimentar seu amor e uma vida de adoração e plenitude. Só assim seremos completos e cumpriremos o fim para o qual fomos criados.
Somos preciosos e pertencemos àquele que nos amou primeiro: Jesus. Não somos indesejados, um acidente, um incômodo. Não somos inadequados ou incapazes, mas Deus nos criou para expressar seu amor aos perdidose aumentar ainda mais a nossa família. Não somos inferiores, mas a coroa da criação. Somos feitos à imagem e semelhança de Deus e nEle encontramos nossa razão de ser.
Oro para que o Espírito Santo testemunhe isso de forma poderosa em sua vida, porque nada há para mim de mais precioso do que vê-lo andando com o Pai com o fardo leve, transformado, livre, amado e crescendo, sendo virtuoso e operoso para Jesus, sendo manso, paciente e humilde, dando suporte para que outros vivam a vida de Deus.
Confesse a Deus e aos homens o que tem te afastado do amor de Deus; exponha o tem te ferido, o que tem te deixado sem esperança, as áreas de sua vida que precisam do toque transformador do Espírito de Deus; exponha para que a luz afaste as trevas do segredo, onde o diabo tem amarrado a muitos, a fim de recebermos cura. Libere perdão e decida pelo amor. Resgate a sua identidade em Cristo, chegando a Ele em sinceridade. Deus te ama e vai te ajudar.
Por fim, o versículo 3 assim veicula: “procurando cuidadosamente manter a unidade do Espírito no vínculo da paz” (versão King James atualizada – KJA).
Goze de paz com o criador. Paz significa literalmente “ser um com alguém” (cf. CHAPMAN, Gary. As Cinco Linguagens do Amor de Deus. São Paulo: Mundo Cristão, 2006, p. 196-197). É o desejo de Deus que sejamos um só com Ele, completos, a fim de que lancemos fora toda a ansiedade e medo, aconchegando-nos nEle. É uma relação que exige investimento e cultivo com em qualquer relacionamento que temos. Temos de cultivá-lo e colheremos os frutos do caráter de Cristo (Gálatas 5:22-23): “amor, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio” (KJA).
Unidade no amor
Este é o caminho sobremodo excelente (1Co 12:31b e, em outras versões, 1 Co 13:1). É fruto do Espírito e o dom supremo.
De posse da identidade de Deus e, prosseguindo em cultivar seus atributos e virtudes, lancemo-nos em conhecê-lo cada vez mais, aprofundando-nos em seu amor.
Jesus resume toda a lei em amar a Deus de todo o coração e amar ao próximo como a si mesmo (Mt 22:34-40), proclamando-o como o maior mandamento.
Não nos enganemos, o amor é prioridade no reino dos céus. O amor a Deus e ao próximo.
Mais uma vez insisto: não nos enganemos uma vez que a revelação bíblica é tão intensa que chega ao ponto de afirmar que tudo aquilo que nos impede ter comunhão com os homens, também nos impede de ter comunhão com Deus, por menor que seja. Afinal, de uma mesma fonte não pode jorrar águas amargas e doces (Tg3:11).
A epístola de Tiago assim diz: “Caros irmãos, como crentes em nosso Senhor Jesus Cristo, não façais acepção de pessoas, tratando-as com preconceito ou parcialidade” (Tg 2:1 - KJA).
Quem não ama o próximo permanece em trevas já que o amor está na luz que Deus emana (cf. 1 Jo 2:9).
Roy Hession, comentando as passagens de 1Jo 2:9, 3:14-15, 4:20, assim nos subsidia:
Tudo que é obstáculo entre mim e outra pessoa, por menor que seja, é obstáculo entre mim e Deus. Temos verificado que, onde essas barreiras não são derrubadas, imediatamente, elas se tornam cada vez maiores, até o ponto de nos separar de Deus e do nosso irmão, por aquilo que parece ser uma verdadeira muralha. Evidentemente, se permitimos entre nós a nova vida, ela terá de se manifestar por uma união íntima com Deus e nosso irmão, sem qualquer barreira entre nós e eles (A Senda do Calvário. Venda Nova: Betânia, s/d, p.23).
Temos que pagar o preço da sinceridade para que tenhamos comunhão entre nós e Deus. Isso é andar na luz (1Jo 1:7). Andar em trevas significa esconder o que somos. O pecado nos leva a nos escondermos, tal como Adão e Eva. Andemos na luz, sejamos sinceros e aceitemos a confrontação. Rompamos as barreiras com a verdade, com a confissão dos pecados, com o perdão, com a convivência em amor, humildade e mansidão, dando suporte para que todos possam crescer e frutificar juntos (Ef 4:2).
É aqui que voltamos ao texto de Efésios 4, principalmente nos versículos 2, 15 e 16. O amor está ligado, quando se trata de comunhão, em: dar suporte para que nosso irmão cresça na fé (v.2), seguir a verdade, a fim de que cresçamos nos atributos e virtudes de Cristo (v.15), sendo verdadeiras “juntas”, articuladores do Reino de Deus para que estejamos sempre unidos e possibilitando que o outro realize a sua função e ministério (v.16).
É na prática do amor e da comunhão que nossa mente mesquinha e má é transformada pelo Espírito Santo e frutificamos.
Temos de nos apegar a esta verdade do amor já que a obra de Satanás é semear a discórdia, as contendas, as divisões, infundir um espírito de competição no meio do povo de Deus.
Unidade no serviço
Unidos na identidade em Cristo e no amor, somos mais fortes e podemos conquistar mais vitórias para o Reino de Deus. É aí que entra em cena a unidade no serviço. Assim diz o livro do profeta Daniel: “(...) mas o povo que conhece ao seu Deus se tornará forte e ativo” (Dn11:32b – versão Almeida Revista e Atualizada - ARA).
Sem identidade e amor a Deus, não há um verdadeiro serviço para o Senhor Jesus. A verdade de quem somos em Deus, enraizada em nosso ser, que produz o amor e a sede de ser como Ele é nos impulsiona a servir de todo o coração.
Este é serviço que Deus deseja, o que é feito com amor, como ato de adoração; só assim poderemos ganhar os perdidos para Jesus; não adianta as muitas palavras e pregações sobre o Deus de amor, mas as pessoas precisam ver em nós o amor de Deus e o seu caráter a fim de que sejam impactadas com o nosso testemunho e digam: “Eu quero esse Jesus que você vive!”.
Resplandecer como a luz é o nosso destino, guiar outros para a luz, a nossa missão. Esta é uma vereda muito antiga que Deus estabeleceu, tal como nos diz o profeta Daniel: “Os que forem sábios, pois, resplandecerão como o fulgor do firmamento; e os que a muitos conduzirem à justiça, como as estrelas, sempre e eternamente” (Dn 12:3-ARA).
Conduzir outros para a justiça e o amor de Cristo é a nossa missão e é por isso que diversos são os dons e serviços, porém somos unidos no serviço já que temos o mesmo propósito.
O texto de Efésios nos acrescenta que o Senhor Jesus designou uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres, “com o propósito de aperfeiçoar os santos para a obra do ministério, para que o Corpo de Cristo seja edificado, até que todos alcancemos a unidade da fé e do conhecimento do filho de Deus, e cheguemos à maturidade, atingindo a medida da estatura da plenitude de Cristo” (Ef 4: 11-12 - KJA).
Somos santos em aperfeiçoamento e o propósito de Deus é que, na diversidade de dons espirituais e ofícios desempenhados, todos sejam edificados e fortalecidos na fé, frutificando no caráter cristão, tendo uma relação pessoal e íntima com o nosso Salvador e nos lançando para evangelizar.
Por fim, Ef4:14 nos traz outro benefício da unidade, qual seja o de que, com a edificação do Corpo de Cristo, poderemos desfazer as mentiras de Satanás, quando este tenta destruir a Igreja com os erros e heresias dos falsos profetas, a fim de que a Verdade sempre prevaleça.
Uma advertência final
Após colher todas essas grandes verdades entregues pelo Apóstolo Paulo para a Igreja de Éfeso, não esqueçamos o que anos depois Jesus disse a respeito da mesma em Apocalipse 2:1-7.
A igreja se aperfeiçoou, perseverou na doutrina, nas boas obras, não tolerou os falsos profetas e as imoralidades, trabalhou árduo e suportou toda a sorte de sofrimento em nome de Cristo.
Porém o Senhor da Igreja disse que tinha contra eles o fato de que tinham abandonado o primeiro amor (v.4) e pede que se arrependam para que o seu candelabro não seja removido (v.5).
Amor é luz e sem ele não podemos fazer nada para Jesus. Que não percamos o ardor do primeiro amor por Jesus. Ele gosta desse amor e se deleita em nós quando o temos. É esse amor que nos traz a “árvore da vida” para uma linda e eterna comunhão com o Pai celeste.
Quem tem ouvidos, compreenda o que o Espírito declara às igrejas: ‘Ao vencedor darei o direito de comer da árvore da vida, que está no paraíso de Deus’” (Ap 2:7 – KJA).
Amém.



Pablo Luiz R. Ferreira
rugidodaverdade.blogspot.com


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