terça-feira, 27 de março de 2018

SANTIDADE NÃO É PESO, É UMA QUESTÃO DE AMOR


A maior desgraça que um cristão pode desfrutar é que seu “Evangelho” seja puramente intelectual, isto é, algo que fica só na mente como um conjunto de doutrinas, de informação racional, intelectual.

Deus quer nosso coração:

“Buscar-me-eis e me achareis quando me buscardes de todo o vosso coração” (Jeremias 29:13 ARA).

Como resultado da rendição incondicional do nosso coração ao Senhor, do nosso orgulho e da nossa independência para a completa dependência dEle, experimentamos o Seu amor como o Aba Pai e a nossa mente vai sendo transformada na medida em que experimentamos na prática do relacionamento com Deus esse amor (1 Pedro 2:3).

Recebemos esse amor e nos sentimos tão amados que queremos ser santos como Ele é porque isso se torna um prazer para nós e porque não queremos que nada nos separe do amor do Pai.

Pecaremos ainda? Sim, porque somos imperfeitos, fracos e precisamos aceitar nossa imperfeição, sabendo, entretanto, que o poder de Deus se aperfeiçoa na nossa fraqueza (2 Coríntios 12:9).

Entretanto, nunca mais faremos pacto com a rebeldia e a mente cauterizada.

Não se desenvolve a santidade só na mente. Ela é uma questão que começa no coração. A mente é atingida como consequência de um coração que se quebranta constantemente, que se rende incondicionalmente na presença do Senhor e recebe do Seu amor num nível profundo.

Desenvolver santidade num nível puramente racional, intelectual é um engano do diabo, porque, em verdade, o coração ainda reproduz a linguagem do demônio: “eu farei a minha vontade” ao invés de falar a linguagem do céu: “seja feita a Tua vontade assim na Terra como nos céus”.

A santidade num nível puramente racional é prisão de frustração. Nunca conseguiremos atingir os padrões do Evangelho dessa forma e ficaremos aprisionados num calabouço de auto condenação: passaremos a nos culpar o tempo todo por não conseguir atingir os padrões do Evangelho e estaremos na casa de Deus pior do que quando estávamos entregues à própria sorte, sentindo-nos indignos como filhos.

O coração rendido entrega tudo o que tem para Deus de modo que todo o nosso ser passa a ser preenchido e transbordado pelo Espírito Santo: o coração, a mente, as emoções e até o corpo, que antes era instrumento do pecado.

Deus quer ocupar a casa toda e não só a mente. Ele quer fazer tudo transbordar, porque somos o templo do Espírito Santo.

A verdadeira santidade surge à luz do modelo do relacionamento de Jesus com o Pai, que é o de completa confiança. E a confiança nasce no meio do lugar de VERDADEIRA VULNERABILIDADE NO CORAÇÃO DO PAI.

A realidade atual é que muitas pessoas estão crescendo sem referencial de pai e de mãe amorosos (muitos são críticos, amaldiçoam com palavras e perfeccionistas demais, infelizmente); é epidêmico o fato de que muitas pessoas vivenciaram e vivenciam situações de abandono dos pais, seja abandono físico, financeiro ou emocional (inclusive pais pastores que dão prioridade ao ministério em detrimento de sua família), bem como abusos físicos, emocionais e sexuais dentro do próprio lar. Por conta de tudo isso, não conseguem ver Deus como um Pai bondoso que as ama.

Para pessoas que crescem sem referencial de pais amorosos ou que sofreram abandonos e abusos, o mais doloroso é estar num lugar de vulnerabilidade, porque, um dia, este lugar de vulnerabilidade as levou para o lugar do abuso e do abandono.

As pessoas feridas dessa forma constroem defesas emocionais, verdadeiras fortalezas na mente de orgulho, de aquisição de conhecimento para se autoafirmarem e serem aceitas pelos outros, de ira, de soberba, de rebeldia, de ódio e muitos outros sentimentos para não mais ser vulnerável e não mais ser ferida.

Esse lugar também tem um alto preço: as pessoas feridas emocionalmente não permitem que outras pessoas entrem em seu mundo interior e isso custa um alto preço de esgotamento físico e mental porque tais pessoas passam a vida toda em estado de alerta para não ser abusadas, abandonadas e/ou feridas de novo. Isto tudo porque a intimidade significou e significa um lugar de dor para essas pessoas.

Qualquer que tenha sido a nossa história de vida, Deus nos chama para darmos a Ele aquilo que mais temos medo de dar: a nossa vulnerabilidade para Ele, o completo controle de nossa vida para Ele para que o amor dEle possa nos transformar de dentro para fora. Só assim o pecado deixará de ser uma realidade que nos define para ser uma realidade periférica em nossa mente e coração.

Deus nos chama para processar as nossas emoções e as nossas crenças na presença dEle. Muitos estão longe de Deus, porque estão longe do próprio coração: não aprenderam a se escutar e entender sua própria necessidade e tem vergonha de si mesmo e dos próprios sentimentos. Deus quer quebrar esse ciclo.

Pense nisso: o que tem lhe impedido de ser verdadeiramente vulnerável diante do coração do Pai? Vergonha? Medo de ser ferido novamente? Bem no seu íntimo, você acha que Deus o desamparará ou não o receberá como você é? Você tem se culpado por não atingir um padrão de santidade? Será que seu Evangelho tem sido puramente intelectual?

Deixe o Espírito Santo lhe sondar e lhe mostrar a verdade em amor para que seu coração seja transformado e, por conseguinte, sua mente. Dê uma oportunidade para si mesmo: questione-se.

Pablo Luiz R. Ferreira

rugidodaverdade.blogspot.com.br

quarta-feira, 21 de março de 2018

ANSEIO PELA PUREZA


“Quanto mais santo o homem se torna, mais ele chora pela impureza que permanece nele” (C. S. Lewis).

Creio firmemente que essas palavras de C. S. Lewis acima citadas devem ser uma verdade em nossas vidas não no sentido de que nós nos depreciemos por causa do pecado que há em nós, até mesmo porque a graça de Deus aceita incondicionalmente pecadores que incondicionalmente se rendem ao senhorio de Cristo.

O verdadeiro alcance da citação, pelo menos ao meu ver, tem de ser no sentido de que, quanto mais nós avançamos no processo de santificação, mais vamos percebendo o quanto Deus é puro e santo e não queremos que nada fique em nossa vida que macule a nossa intimidade com Ele. É uma questão de intimidade: não queremos que nada contamine nossa relação com o Pai Celestial, nem entristeça o doce coração dEle. Passamos a ter zelo pelo coração de Deus, porque Ele imensamente nos ama.

“Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força” (Deuteronômio 6:5 ARA).

“Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores” (Romanos 5:8 ARA)

Pense nisso: em que medida você tem esse desejo de dar pureza ao Pai Celestial? Em que medida o seu coração tem se quebrantado diante de Deus pelas coisas que mancham o seu relacionamento com Ele? Você tem tido zelo pelo coração de Deus?

Pablo Luiz Rodrigues Ferreira
rugidodaverdade.blogspot.com.br

terça-feira, 20 de março de 2018

O SACRIFÍCIO DE CRISTO NA CRUZ: UM RETRATO DA SEVERIDADE E DA BONDADE DE DEUS



“Considera, pois, a bondade e a severidade de Deus: para com os que caíram, severidade; mas, para contigo, a benignidade de Deus, se permaneceres na sua benignidade; de outra maneira, também tu serás cortado” (Romanos 11:22 ARC95).

Não podemos pensar em um avivamento para os dias de hoje se acharmos que a questão do pecado é coisa pouca. Custou o sacrifício de Jesus. Na cruz, nós vemos a severidade e a bondade de Deus. A severidade porque Deus é um Deus Santo que não pode transbordar onde há pecado. A bondade porque, por meio do sacrifício de Jesus, Deus aceita incondicionalmente pecadores que incondicionalmente se rendem ao senhorio de Cristo. A única forma de escapar da ira de Deus é correr para o seu amor.

Pense nisso.

Pablo Ferreira
rugidodaverdade.blogspot.com.br

quinta-feira, 1 de março de 2018

DOR


“Por isso não desanimamos. Pelo contrário, mesmo que o nosso ser exterior se desgaste, o nosso ser interior se renova dia a dia. Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um eterno peso de glória, acima de toda comparação, na medida em que não olhamos para as coisas que se veem, mas para as que não se veem. Porque as coisas que se veem são temporais, mas as que não se veem são eternas” (2 Coríntios 4:16-18 NA17).

Muitas vezes, o melhor de Deus para nós, por um tempo, é a dor: para nos moldar, fazer apodrecer o nosso orgulho e matar a nossa carcaça de pecado. Entretanto, esse é um processo que traz um imenso peso de glória porque, ainda que passemos pela dor, temos um imenso potencial de verdadeiramente sermos livres do velho homem.

Na dor, peça a Deus para lhe direcionar para que você morra para o seu velho eu e um novo eu revestido do fruto do Espírito Santo e de Seu poder possa surgir.

Queira aprender de Deus com a dor.

Pablo Ferreira
rugidodaverdade.blogspot.com.br

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

O PRIVILÉGIO DE SER DIFERENTE


"Quando nós perdemos o direito de ser diferentes, nós perdemos o privilégio de sermos livres" (Charles Evans Hughes).

Como cristãos, a Bíblia nos chama para sermos diferentes e não tomarmos as formas deste mundo (Romanos 12:2). Quando somos separados pela verdade por meio do arrependimento constante de nossas obras mortas, a nossa mente é renovada e somos verdadeiramente livres, porque estamos em comunhão com o Pai, que nos chamou para ser um só espírito com Ele e recebemos dEle o amor incondicional que nos aceita como filhos amados.

Se a nossa vida não for marcada pela diferença da liberdade em Cristo Jesus e do amor que decorre dEle, nada mais nos distinguirá e somos, em verdade, escravos na mente e não livres se essa transformação diferenciadora não ocorre.

Cristo em nós é a diferença: se Ele e Sua Palavra não forem suficientes para atrair as pessoas, nada mais as atrairá.

Pense nisso: que obras mortas necessitam sair de sua vida para que Cristo seja a diferença, tal como a mente amargurada ou a religiosidade?

Não perca o seu direito de ser diferente para ser verdadeiramente livre.


Pablo Ferreira
pablolrferreira@hotmail.com
rugidodaverdade.blogspot.com.br

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

MANIPULAÇÃO OU CONFIANÇA: O QUE ESTÁ DENTRO DE VOCÊ?


A grande verdade a respeito dos relacionamentos é que a todo momento temos a seguinte escolha: ou confiamos, ou manipulamos. Não há meio termo.

Se nós não confiamos, manipularemos as situações para que as pessoas se comportem do jeito que queremos para nos sentirmos seguros.

Da mesma forma, se não confiamos em Deus, tentaremos manipular as situações para que Ele faça as coisas do nosso jeito, tentaremos ser santos aos nossos próprios olhos e tentaremos viver o Evangelho da nossa maneira. E o pior de tudo: se não confiamos em Deus, não temos a possibilidade de vê-lo da forma como Ele realmente é, bondoso e compassivo. Teremos sempre em nossa mente uma visão distorcida de Deus, enquanto não confiarmos nele.

Confiança é algo aprendido e começa na família com pai e mãe e os demais membros: eles são nossos modelos básicos de confiança. Se houver qualquer mágoa no nosso processo de desenvolvimento com eles, todos os nossos demais relacionamentos ficarão prejudicados, inclusive o nosso relacionamento com Deus, a quem não veremos como Pai.

Falta de confiança é um lugar de medo, um calabouço do qual somente sairemos se estivermos dispostos a perdoar para que o amor de Deus entre em nosso coração e nos cure.

"No amor não existe medo; antes, o perfeito amor lança fora o medo. Ora, o medo produz tormento; logo, aquele que teme não é aperfeiçoado no amor" (1João 4:18 ARA).

Peça ao Espírito Santo para que Ele lhe mostre as mágoas que você tem e que prejudicaram a sua capacidade de confiar. Peça que Ele lhe mostre as dívidas emocionais que precisam ser rasgadas para que você possa ser restaurado, até mesmo aquelas que estão em oculto e você não percebe. Não aceite em seu coração qualquer falta de amor; perdoe.

Pablo Luiz Rodrigues Ferreira
pablolrferreira@hotmail.com
rugidodaverdade.blogspot.com.br

domingo, 31 de dezembro de 2017

NÃO SE DESPEDACE PARA MANTER OS OUTROS INTEIROS



Não vale a pena deixar de ser quem você é para ser "um alguém" para outra pessoa. Infelizmente, há muita gente vivendo essa falsa forma de amor: buscando a felicidade no outro, porque, lá no fundo de sua consciência, não se ama e não se aceita profunda e completamente. Saia desta cadeia, Deus lhe ama e não quer ver você vivendo a vida dos outros, mas o destino que Ele preestabeleceu para você... Se valorize em Deus e se arrependa de todas as crenças negativas que existem dentro de você a seu respeito... Viva. Arrependimento da autorrejeição é vida.

Pablo Ferreira

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

OUVINDO O CORAÇÃO DE DEUS: UMA PALAVRA SOBRE A INIQUIDADE

"Jeremias não era o 'profeta chorão', mas ele foi o homem envolvido no coração de um 'Deus chorão'" (Corey Russell).

A grande verdade a respeito do profeta Jeremias é que a intimidade dele com o Senhor o possibilitou sentir profundamente o que estava no coração de Deus e, por isso, não somente ele pôde denunciar as iniquidades do povo de Israel, mas também se compadecer da situação de miséria espiritual deles.

Deus busca nos dias de hoje filhos com quem Ele possa compartilhar aquilo está no coração dele; não porque Ele precise, mas porque Ele tem prazer nisso e também porque isso quebra cadeias profundas dentro de nós.

Sabe por que nós ainda temos a mente mesquinha? Porque nós não vimos a Glória de Deus a tal ponto de nos arrependermos das nossas iniquidades: daquilo que é torto, distorcido em nós em termos de mente e nos predispõe ao pecado; porque nós ainda não nos dispusemos a buscar ouvir o que está no coração do Pai, inclusive a nosso respeito para que andemos em caminhos de vida e justiça.

Usando a linguagem de Efésios 1:18, que os olhos do nosso coração sejam iluminados por Deus para que tenhamos acesso ao sobrenatural na intimidade com Ele e, por conseguinte, comecemos a nos arrepender e a renunciar tudo aquilo que é torto e distorcido dentro de nós e que Ele certamente nos mostrará para nos libertar.

Quanto mais a iniquidade sai de nós, mais o amor de Deus entra e nos transforma de uma maneira indizível, de modo que aquilo que está no coração do Pai passa a consumir a nossa vida em todos os aspectos e passamos a ser vasos aptos a gerar as realidades espirituais que o Senhor quer implementar na Terra.

Comece a pedir a Deus que lhe mostre a raiz de toda a iniquidade, de tudo o que é distorcido em sua mente e lhe predispõe ao pecado em sua vida para que você possa ser liberto através do arrependimento (ex: falta de perdão e raiz de amargura, mente dominada pelas paixões da carne, materialismo, religiosidade, incredulidade, intelectualismo, orgulho e vaidade, mentira, fofocas, uso da língua como fonte de maldições do outro e de si mesmo, etc.).

Somos uma geração de surdos e cegos espirituais, mas Deus nos convida para ouvir as batidas do seu coração e ver as manifestações da glória dele após passarmos pela porta do arrependimento das iniquidades.

Pablo Luiz Rodrigues Ferreira
pablolrferreira@hotmail.com
rugidodaverdade.blogspot.com.br

domingo, 3 de dezembro de 2017

DEIXE DEUS TIRAR ALGO DE VOCÊ E COLOCAR ALGO DELE


“Arrependei-vos, pois, e convertei-vos para serem cancelados os vossos pecados, a fim de que, da presença do Senhor, venham tempos de refrigério, e que envie ele o Cristo, que já vos foi designado, Jesus” (Atos 3:19-20).

Deus quer fazer muitas coisas em nós e nos costurar por dentro de uma maneira que nós nem pensamos que é possível.

Acredite: a rendição do nosso orgulho ao Espírito Santo é uma porta poderosa de acesso ao sobrenatural de Deus em nós.

Deixe-se ser guiado por Ele. Vai valer a pena morrer um pouco mais a cada dia... Permita que, a cada encontro com Deus, Ele tire algo de você e coloque algo dele no lugar: é assim que a verdadeira unção se manifesta para que sejamos vida no ajudar ao próximo...

Pablo Ferreira
pablolrferreira@hotmail.com
rugidodaverdade.blogspot.com.br

terça-feira, 28 de novembro de 2017

CURA DAS MEMÓRIAS DA REJEIÇÃO


Então clamaram ao Senhor na sua angústia, e ele os livrou das suas dificuldades. Enviou a sua palavra, e os sarou; e os livrou da sua destruição” (Salmos 107:19,20 – Almeida Corrigida Fiel).

A rejeição causa feridas no “eu” da pessoa, as quais transcendem a esfera da alma, alcançando a mente e o coração, fazendo com que a pessoa se sinta indesejada, não querida, não aceita, não aprovada pelas pessoas e, assim, causando uma série de anormalidades emocionais e mentais na personalidade em decorrência da distorção da autoimagem e de uma autoestima negativa que a pessoa ferida em seus relacionamentos passa a nutrir, tais como ódio, rancor, ressentimento, ira, orgulho ferido, vitimização de si (achar-se vítima dos acontecimentos, sempre culpando os outros por seus fracassos e derrotas – a chamada autocomiseração), desconfiança, insegurança, inveja, competição, complexos de inferioridade, depressão, perfeccionismo, dependência emocional, doenças psicossomáticas, etc.
Todos nós passamos, em algum momento de nossas vidas, por experiências de negação do amor em maior ou menor escala, tendo recebido feridas de rejeição, sendo as mais profundas aquelas que acontecem de maneira intensa e traumática (ex: abuso sexual, psicológico, físico e/ou religioso) no período da infância e adolescência, bem como até mesmo na vida intrauterina, já que tudo aquilo que a mãe sente o feto também sente, sendo internalizada na memória dele todas as experiências de rejeição que a mãe tenha experimentado em relação a ela ou ao feto (neste sentido, consultar SEAMANDS, David. 2 ed. A Cura das Memórias. São Paulo: Mundo Cristão, 2007, p. 5-17).
As feridas mais dolorosas da rejeição também são aquelas que ocorrem no relacionamento com os pais e familiares e/ou figuras de autoridade (ex: professores, pastores, líderes), uma vez que é neste tipo de relacionamento que são formadas na mente e no coração do homem os referenciais de amor, aceitação, aprovação, identidade, valor como pessoa, segurança, autoridade. Se tais relacionamentos são prejudicados pela rejeição, a alma humana fica ferida, resultando nas distorções emocionais e mentais citadas acima, as quais serão transferidas e projetadas em todos os demais relacionamentos, isto é, acabamos por ferir as pessoas com as mesmas armas com as quais nos feriram.
As feridas da rejeição prejudicam, portanto, a nossa capacidade de nos relacionarmos de forma sadia conosco mesmos, com os outros e inclusive em relação a Deus, a quem não conseguimos ver com uma fonte de amor incondicional (neste sentido, GUILLEN, Fernando. O Espírito de Rejeição. Belo Horizonte: Ministério Se7e Montes, s/d. 2 DVD).
O antídoto para as feridas da rejeição é o perdão. O perdão é a porta de entrada do Reino de Deus; só temos a possibilidade de ter relacionamento com Deus, porque Ele primeiramente nos perdoa por intermédio do sacrifício de Cristo na cruz e, de semelhante modo, devemos perdoar as ofensas cometidas contra nós.
Toda experiência de negação do amor, isto é, de rejeição provoca dois fenômenos na pessoa ferida: 1. medo da rejeição (medo de ser rejeitado novamente) e 2. autorrejeição (o trauma da rejeição faz a pessoa acreditar em uma crença negativa a respeito dela mesma em função do trauma).
Toda a experiência de rejeição é curada com o perdão em relação à pessoa que nos ofendeu, abusou ou mesmo nos abandonou, entretanto, para a cura completa da alma é preciso que as barreiras da autorrejeição caiam.
Em toda experiência de rejeição ou trauma emocional, a pessoa acaba absorvendo o medo da rejeição que esta experiência lhe causou e, como fruto deste medo, ela fica com a autoimagem partida, isto é, com autorrejeição: a pessoa não se sente amada, querida e com valor e assume como verdade uma mentira diabólica a respeito dela mesma, que causa dor e sofrimento.
Essa crença negativa que a pessoa internaliza a partir do trauma é uma MALDIÇÃO AUTO IMPOSTA.
Então, no processo de cura interior e libertação da rejeição, durante a oração, o Espírito Santo tem de trazer à memória da pessoa a raiz do problema: o evento traumático e revelar qual foi a crença negativa que a pessoa assumiu a partir daquele trauma, ou seja, como a pessoa se autoamaldiçoou.
A partir da revelação do Espírito Santo, a pessoa confessa em oração os sentimentos dolorosos que vivenciou com o trauma (ex: medo, abandono, ira, etc.), entregando-os ao Senhor e se arrepende da maldição auto imposta, isto é, arrepende-se de ter recebido como verdade uma mentira do inferno a seu respeito e declara a maldição auto imposta quebrada no nome e no sangue de Jesus, proibindo toda a influência demoníaca decorrente da iniquidade (da forma de pensar errada sobre si, da forma distorcida e desalinhada da Palavra de Deus de pensar a respeito de si mesma). Ex. de maldições auto impostas: "eu não valho nada", "eu sou inadequado", "eu sou incapaz", etc.
A pessoa tem de declarar sobre si as verdades da Palavra a seu respeito: que tem valor, que é filho de Deus, etc.
E lógico: a pessoa em oração precisa perdoar a quem lhe feriu e se perdoar também. Renunciar o medo e se aceitar.
Por fim, a pessoa deve se colocar diante do Espírito Santo e convidá-lo a ministrar o que Ele quiser ministrar a ela: muitas vezes, Deus dará visões curadoras as pessoas, testemunhará em seu íntimo palavras de afirmação ou lembrará ela de momentos em que ela se sentiu amada para promover a cura das emoções.
É importante lembrar que algumas experiências de rejeição foram fortes demais e desencadearam muitas crenças negativas diferentes no coração da pessoa. Então, é muito normal que o Espírito Santo cure a pessoa em estágios e trabalhe um aspecto diferente da mesma experiência de cada vez em cada oração, porque a pessoa não suporta tudo de uma vez.
Gostaria de trazer ao leitor um exemplo da minha vida:

Eu estava pesquisando sobre como a idolatria e o racionalismo apagaram o mover sobrenatural do Espírito Santo na igreja ao longo da história. Aproveitei para me colocar diante do Senhor e me arrepender por todo intelectualismo que dominou minha vida: desde muito pequeno, eu tinha uma sede enorme de adquirir conhecimento para me autoafirmar, para provar que eu era importante, digno de valor e, mesmo quando fui batizado com o Espírito Santo e agraciado com os dons espirituais, continuei sendo racional e confiando mais no conhecimento do que em Deus. Enquanto me arrependia desta iniquidade, o Senhor falou para mim: ‘VOCÊ É ASSIM PORQUE VOCÊ ACREDITA QUE NÃO É DIGNO DE SER CUIDADO’. Pedi ao Senhor revelação da origem disso e Ele me mostrou uma foto da minha mãe grávida em preto e branco. Ele me revelou que minha mãe passou para mim os medos que ela tinha em relação ao meu pai: engravidou solteira e não sabia se meu pai cuidaria dela e de mim. Confessei os pecados do meu pai e mãe pela concepção fora do casamento, confessei meus sentimentos em relação à experiência (medo, insegurança) e renunciei a iniquidade, quebrando-a no nome e no sangue de Jesus. Renunciei a maldição auto imposta "EU NÃO SOU DIGNO DE SER CUIDADO", quebrando-a no nome e no sangue de Jesus e proibindo toda a influência demoníaca decorrente da iniquidade. Perguntei ao Senhor se ele queria tratar mais alguma coisa em relação a esse incidente e Ele me disse: ‘essa experiência também fez você rejeitar seu corpo e acreditar que SEU CORPO NÃO É DIGNO DE SER CUIDADO’. Mais uma vez me arrependi da maldição auto imposta, renunciando-a e quebrando-a no nome e no sangue de Jesus e proibindo toda a influência demoníaca decorrente da iniquidade. O resultado: mais cura na minha identidade (passei a me amar mais e ficar melhor com minha autoimagem corporal) e mais amor pelos meus pais encheu meu coração”.

É de se dizer que essa oração também pode ser feita com o auxílio de um pastor, conselheiro ou libertador (Tiago 5:16), até mesmo porque, em muitos casos, a pessoa não tem força, nem luz para se libertar sozinha. Mas o ideal é que ela se fortaleça, seja educada neste processo a respeito de suas questões emocionais e desenvolva com Deus uma intimidade para receber diretamente dele a ministração da cura interior em oração.
 Por fim, acentue-se que esta não é uma mera mecânica. A cura interior é uma obra sobrenatural de ministração pessoal do Espírito Santo, mas que envolve por parte daquele que quer ser curado três grandes princípios: o arrependimento de pecados (de uma forma pecaminosa de crer a respeito de si mesmo), do perdão das ofensas praticadas contra si e do perdão de pecados e iniquidades que o Senhor nos dá por intermédio do nome e do sangue de Jesus – sem esses três elementos, não há cura, portanto, o primeiro passo essencial de todo aquele que quer ser curado é renunciar ao orgulho e ter uma disposição de a tudo perdoar, inclusive a si mesmo quando necessário, dependendo inteiramente do Espírito Santo para o seu processo.

Pablo Luiz Rodrigues Ferreira
rugidodaverdade.blogspot.com