sábado, 29 de junho de 2013

O ASPECTO RELACIONAL DE SER CRIADO À IMAGEM E SEMELHANÇA DE DEUS - A “NEUROESPIRITUALIDADE” DO “NÓS” - PARTE 1

Esta é uma nova série de textos em que se abordará o significado do aspecto relacional de termos sido criados à imagem e semelhança de Deus e da importância da restauração dos relacionamentos como parte integrante do Evangelho, trazendo à colação as contribuições que as neurociências nos trazem em prol da restauração emocional e a renovação da mente, bem como a sua conexão com as práticas espirituais.

Se vocês ainda acham que o pecado é pouca coisas, leiam este texto.

Espero que vocês sejam profundamente edificados pelo Espírito Santo.

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A “NEUROESPIRITUALIDADE” DO “NÓS”: A RESTAURAÇÃO DOS RELACIONAMENTOS COMO PARTE INTEGRANTE DA RENOVAÇÃO DA MENTE - PARTE 1





I) O aspecto relacional de ser criado à imagem e semelhança de Deus

Disse mais o SENHOR Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea (Gênesis 2:18).

A Bíblia Sagrada é enfática ao dizer que fomos criados à imagem e semelhança de Deus (Gênesis 1:26-27), de modo que, a cada dia, conhecendo a estrutura do ser humano à luz de ciências como a medicina, a biologia, a psicologia, as neurociências, pode-se ver a sua enorme complexidade biológica e relacional e, como o salmista Davi, dizer: “Graças te dou, visto que por modo assombrosamente maravilhoso me formaste; as tuas obras são admiráveis, e a minha alma o sabe muito bem” (Salmo 139:14 – Bíblia versão Almeida Revista e Atualizada - ARA).
A criação manifesta os atributos invisíveis de Deus, seu poder e sua glória (Romanos 1:20), pelo que, a medida em que nos deslumbramos com o conhecimento das coisas criadas, inclusive da estrutura do ser humano, devemos render glória ao Senhor e exaltá-lo pela profundidade de seu pensamento, por sua multiforme criatividade, pela grandeza de seu poder, pela manifestação da sua glória, pelo seu eterno amor por nos ter criado para que tivéssemos relacionamento com Ele.
Ser imagem e semelhança de Deus vai muito além de ter uma mente inteligente, uma personalidade, emoções, mas também significa que herdamos dEle a capacidade de se relacionar com o outro. Alguém só pode dar aquilo que tem para outra pessoa e, com Deus, isso não é diferente; só temos a capacidade de nos relacionar, porque esta é uma capacidade que o próprio Deus tem por essência, independentemente das coisas criadas.
Deus é completo, autossuficiente, imutável, não necessitando das coisas criadas para, de algum modo, aperfeiçoar-se. Deus é perfeito, completo e autossuficiente, inclusive em seu aspecto relacional: Deus é um e é três em um; Deus é Pai, Filho e Espírito Santo; o Deus trino, a Santíssima Trindade, uma estrutura de personalidade existencial que mente humana alguma pode sondar e perscrutar.
Dentro da Trindade há relacionamento entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo. A título de exemplo, o Evangelho de João é rico em demonstrar um amor peculiar entre Deus Pai e Deus Filho, tal como em João 3:35, 5:20, 14:31, mostrando que esse vínculo de filiação de Jesus não começou quando nosso salvador veio a Terra cumprir o plano da redenção, mas desde a eternidade (João 17:5), mostrando que Jesus tem uma experiência compartilhada de relacionamento desde antes da fundação do mundo, na eternidade passada; desde a eternidade, Deus Filho tem relacionamento de amor, obediência e intimidade com Deus Pai, intimidade esta que é tão profunda a ponto de Deus Pai, por amor ao seu filho unigênito, mostrar-lhe tudo o que faz, sendo que Jesus faz tudo o que o Pai faz por ser sua exata expressão (Hebreus 1:3), fazendo apenas o que vê seu Pai fazer (João 5:19-20) e chegando a dizer: “A minha comida consiste em fazer a vontade daquele que me enviou e realizar a sua obra” (João 4:34 - ARA) (cf. CARSON, Donald A. A Difícil Doutrina do Amor de Deus. Rio de Janeiro: CPAD, 2007, p. 17, 36-37, 41). O Espírito Santo, sendo Deus, também goza da mesma intimidade e amor que Jesus dentro da Trindade, ao ponto das Escrituras afirmarem de forma categórica que o Espírito conhece as profundezas de Deus (1 Coríntios 2:10).           
            Existe em Deus, desde antes da fundação do mundo, a esfera do relacionamento, o que permitiu a Ele criar o homem de tal forma que ele se organizasse em várias instâncias de pluralidade, tais como em forma de casal em uma união em que homem e mulher formam uma só carne, assim como Deus é três em um; de família, de filiação e adoção, de estabelecimento de gerações; de amizade, afeto e companheirismo; na forma de instituições, governo, Estado, tribos, sociedade, bem como na forma de reunião dos santos no corpo de Cristo como a igreja do Senhor.
            Assim está escrito em Gênesis 1:26a: “Também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança” (ARA). O homem foi criado pela Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo conjuntamente o fizeram, conforme se depreende do citado versículo, em que as Escrituras se utilizam do verbo fazer no plural, o que denota uma atividade conjunta, tendo Deus, por conseguinte, transferido ao homem esta capacidade relacional. 

II) As perfeições originais do Éden e os efeitos da “Queda”: a questão do pecado original e o do mal no mundo

A criação de Deus foi dotada do estado de perfeição. Tudo Deus criou perfeito, como perfeito Ele é. O universo foi criado perfeito, regido por leis naturais perfeitas (perfeição universal); Deus criou o mundo com ecossistemas de animais, plantas, minerais, com um equilíbrio perfeito entre eles (perfeição ecológica). Estabeleceu o homem e a mulher perfeitos, feitos à sua perfeita imagem; Deus criou todo o universo e o mundo e, de tudo que fez, disse o Senhor que era bom (Gênesis 1:11, 18, 21 e 24), entretanto, depois de criar homem à sua imagem e semelhança, “viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom” (Gênesis 1:31 - ARA).
Deus criou o homem com perfeição psicofísica, isto é, com orientação sexual e identidade de gênero perfeitos – “homem e mulher os criou” (Gênesis 1:27), tendo lhes dado personalidades perfeitas, modeladas de acordo com a sua própria, mentes com uma capacidade incrível de aprender, imaginar e dotada de criatividade para transformar a natureza, bem como emoções com um forte senso de identidade e autoestima segura, a fim de que eles pudessem ser fecundos e sujeitar a natureza, conforme o mandamento do Senhor (perfeição mental, emocional e organizacional).
Outra marca de perfeição que o Senhor infundiu no homem foi a perfeição relacional. Homem e mulher tinham um companheirismo perfeito entre si à imagem e semelhança do que ocorre com o aspecto relacional de Deus dentro da Trindade, existindo entre eles uma plena abertura para que pudessem se conhecer e ser conhecidos um pelo outro, sem que houvesse qualquer mecanismo de defesa, culpa, vergonha, inibição ou qualquer perda de afetividade ou vinculação que pudesse separá-los. Homem e mulher eram perfeitamente unidos emocional, espiritual e sexualmente, de modo que eram uma só carne e estavam nus e não se envergonhavam, não existindo qualquer tipo de barreira entre eles, quer física, mental, espiritual ou emocional. No que tange ao relacionamento com Deus, tinham perfeição espiritual, também sem qualquer barreira, desfrutando da amizade e do amor paternal de Deus, falando o Senhor audivelmente com eles no jardim do Éden (cf. SEAMANDS, David. O Poder Curador da Graça. São Paulo: Vida, 2006, p. 49-50).
A voz que o homem ouve determina a sua identidade e destino; isto é assim hoje e também foi assim no Éden. O homem e mulher deram ouvidos a voz do Maligno e o pecado entrou no mundo, fazendo separação de Deus e corrompendo e degenerando todas as perfeições que o Senhor tinha concedido ao ser humano.   
Por conta disso, o mundo jaz no Maligno e em sua atuação infernal (1 João 5:19), de sorte que toda a criação, com o pecado original, ficou sujeita à vaidade e ao cativeiro da corrupção (Romanos 8:20-21), tendo o homem ficado cego espiritualmente e incapaz de discernir as coisas espirituais e sob o controle do “príncipe da potestade do ar” (Efésios 2:2) e, por isso, as Escrituras dizem que “a nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes” (Efésios 6:12). Toda a Terra e o homem ficaram contaminados pela iniquidade, de modo que esta passa a ser a grande estrutura de produção e reprodução dos pensamentos e dos comportamentos humanos.
Perdemos a perfeição física, pelo que somos sujeitos a doenças, ferimentos, deformidades, degenerações e, por fim, a morte física; perdemos a perfeição do relacionamento que tínhamos com Deus; perdemos a nossa perfeição mental, emocional e relacional, de sorte que todos os seres humanos na face da Terra têm relacionamentos partidos que necessitam ser restaurados.
O pecado original de Adão e Eva é comumente chamado de “queda”. De onde eles caíram? Relativamente à perfeição espiritual, eles caíram de um relacionamento íntimo com Deus; caíram de uma vida centrada no relacionamento com Deus para uma vida centrada no egoísmo, na satisfação de seus próprios desejos; a humanidade caiu em desgraça em relação a Deus (neste sentido, BAKER, Mark W. Jesus, o maior psicólogo que já existiu. Rio de Janeiro: Sextante, 2005, p. 51).
Trago à colação o que o Catecismo Maior de Westminster, um dos mais importantes documentos da Reforma Protestante, comenta a respeito da “queda”:

Em que consiste o pecado desse estado em que o homem caiu?
O pecado desse estado em que o homem caiu consiste na culpa do primeiro pecado de Adão, na falta de retidão na qual este foi criado e na corrupção da sua natureza pela qual se tornou inteiramente indisposto, incapaz e oposto a todo o bem espiritual e inclinado a todo o mal, e isso continuamente: o que geralmente se chama pecado original, do qual precedem todas as transgressões atuais (Rm 5:12, 19 e 5:6, e 3:10-12; Ef. 2:3; Rm 8:7-8; Gn 6:1; Tg 1:14-15; Mt. 15:19) (pergunta 25 do Catecismo Maior).

Qual é a miséria que a queda trouxe sobre o gênero humano?
A queda trouxe sobre o gênero humano a perda da comunhão com Deus, o seu desagrado e maldição; de modo que somos por natureza filhos da ira, escravos de Satanás e justamente expostos a todas as punições, neste mundo e no vindouro (Gn 3:8, 24; Ef 2:2-3; II Tm 2:26; Lc 11:21-22; Hb 2:14; Lm 3:39; Rm 6:23; Mt 25:41,46) (pergunta 27 do Catecismo Maior).

A Confissão Belga de 1561 também nos traz importantes ensinamentos ao assunto em comento:

ARTIGO 15
O PECADO ORIGINAL
Cremos que, pela desobediência de Adão, o pecado original se estendeu por todo o gênero humano (l). Este pecado é uma depravação de toda a natureza humana (2) e um mal hereditário, com que até as crianças no ventre de suas mães estão contaminadas (3). É a raiz que produz no homem todo tipo de pecado. Por isso, é tão repugnante e abominável diante de Deus que é suficiente para condenar o gênero humano (4).
Nem pelo batismo o pecado original é totalmente anulado ou destruído, porque o pecado sempre jorra desta depravação como água corrente de uma fonte contaminada (5). O pecado original, porém, não é atribuído aos filhos de Deus para condená-los, mas é perdoado pela graça e misericórdia de Deus (6). Isto não quer dizer que eles podem continuar descuidadamente numa vida pecaminosa. Pelo contrário, os fiéis, conscientes desta depravação, devem aspirar a livrar-se do corpo dominado pela morte (Rm 7:24).
Neste ponto rejeitamos o erro do pelagianismo, que diz que o pecado é somente uma questão de imitação [(1) Rm 5:12-14,19. (2) Rm 3:10. (3) Jó 14:4; Sl 51:5; Jo 3:6. (4) Ef 2:3. (5) Rm 7:18,19. (6) Ef 2:4,5].

Devido à “queda” no Éden, a natureza humana, com a perda da perfeição espiritual, degenerou-se, sendo tomada pela culpa e pela corrupção do pecado e, consequentemente, pela perda da perfeição relacional e pela perda de todas as demais perfeições originais. A corrupção do pecado introduziu no ser humano a raiz da rebelião contra Deus, do orgulho e do egoísmo, da ira pecaminosa, da violência e da vingança, da disposição mental inclinada para fazer o mal, da cegueira espiritual, bem como dos demais sentimentos negativos e condutas autodestrutivas (veja-se, por exemplo, Isaías 59, Romanos 1 e 2). Além disso, quanto à dimensão da culpa oriunda do pecado, homem e mulher herdaram a vergonha, os sentimentos de inferioridade e de inadequação, a deslealdade, o medo, a desconfiança, a fuga e a transferência da responsabilidade pelos erros e falhas, a inveja, a cobiça, a competição, o ódio, o rancor, o ressentimento, a mentira, entre outras barreiras que prejudicam os relacionamentos, o que nós transferimos e projetamos inclusive no nosso relacionamento com Deus.
Esta é a realidade que se evidencia do relato da “queda” contido em Gênesis 3. O homem e a mulher acreditaram nas mentiras da serpente e comeram do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, desobedecendo a proibição que Deus tinha estabelecido e, assim, seus olhos foram abertos e conheceram que estavam nus, tendo passado a sentir a vergonha e os sentimentos de inferioridade e de inadequação de tal condição, pelo que se cobriram com folhas de figueira (v. 7) e tiveram medo e se esconderam quando o Senhor veio visitá-los no jardim na viração do dia (v. 10).
O Senhor cobrou a responsabilidade primeiramente de Adão, uma vez que o homem é o líder, cabeça do casal, tendo ele respondido: “A mulher que me deste por esposa, ela me deu da árvore, e eu comi” (v. 12). Após cobrar a responsabilidade de Adão, o Senhor perguntou a Eva o que ela tinha feito, tendo ela respondido: “A serpente me enganou, e eu comi” (v. 13). A mulher, semelhantemente a Adão, transferiu sua culpa a outrem. Aqui começou a transferência de culpa e de responsabilidade: o homem culpou a mulher por sua falha e, mais ainda, com alta probabilidade, culpou Deus por ter dado aquela mulher para ele como esposa, isto é, ele insinuou que, se Deus não tivesse dado aquela mulher, ele não teria caído em desobediência, já que ele falou “a mulher que me deste por esposa” (grifo nosso).
Verifica-se que o homem em nada mudou desde o Éden para cá no que tange a sua essência corrompida; este mecanismo de defesa de colocar a culpa em outras pessoas pelas falhas pessoais ao invés de enfrentar o confronto e o desconforto das consequências de ter assumir a responsabilidade e se sujeitar às penas da desobediência e da transgressão tem sido uma distorção de caráter marcante na raça humana. Ocorrem as guerras, quem é o culpado? Pessoas passam fome, outras morrem no trânsito pela imprudência de motoristas bêbados, crianças e jovens são vítimas de abandono e de violência física, sexual e/ou verbal, calamidades climáticas acontecem destruindo lares de muitos, casais se divorciam e causam profundas mágoas entre si e desestruturam emocionalmente sua prole, quem é o culpado por tudo isso? “Por que Deus não impediu?”, dizem os homens ao invés de assumir a responsabilidade pela maldade da raça humana. A vontade de Deus é boa, perfeita e agradável (Romanos 12:2) e, se estamos cercados pela morte, pelas tragédias, pelas violências, assim o estamos em decorrência do livre arbítrio do homem e não por culpa de Deus. A este respeito, veja-se o que diz a Segunda Confissão Helvética, outro importante documento da Reforma Protestante, elaborado em 1562, em sua parte 8:

Deus não é o autor do pecado; e até onde se pode dizer que ele endurece. Está claramente escrito: “Tu não és Deus que se agrade com a iniquidade. Aborreces a todos que praticam iniquidade. Tu destróis os que proferem mentira” (Salmo 5.4 ss). E de novo: “Quando ele [o diabo] profere a mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira” (João 8.44). Além disso, há em nós suficiente pecado e corrupção, não sendo necessário que Deus em nós infunda uma nova e ainda maior depravação. Quando, portanto, se diz nas Escrituras que Deus endurece, cega e entrega a uma disposição réproba de mente, deve-se entender que Deus o faz mediante um justo juízo, como um Juiz Vingador e justo. Finalmente, sempre que na Escritura se diz ou parece que Deus faz algo mal, não se diz, por isso, que o homem não pratique o mal, mas que Deus o permite e não o impede, segundo o seu justo juízo, que poderia impedi-lo se o quisesse, ou porque ele transforma o mal do homem em bem, como fez no caso do pecado dos irmãos de José, ou porque ele próprio controla os pecados, para que não irrompam e grassem mais largamente do que convém. Santo Agostinho escreve em seu Enchiridion: “De modo admirável e inexplicável não se faz além da sua vontade aquilo que contra a sua vontade faz. Pois não se faria, se ele não o permitisse. E, no entanto, ele não o permite contra a vontade, mas voluntariamente. O bom não permitiria que se fizesse o mal, a não ser que, sendo onipotente, pudesse do mal fazer o bem”. É isso o que ele diz.

Deus não aceitou as desculpas do homem e da mulher, de maneira que tiveram de responder diante de Deus por seus atos e colher as consequências e o castigo em virtude da ofensa praticada (vv. 16-24) e, de igual modo, cada um de nós comparecerá diante do Trono da Justiça do Senhor para sermos julgados; a maldade do homem não ficará de modo algum impune; não há nada que nos fará escapar da ira vindoura de Deus, a não ser que sejamos lavados e remidos pelo sangue do Cordeiro, do Senhor Jesus Cristo, sendo que a promessa do nosso salvador já se encontra aqui no episódio de Gênesis 3, quando Deus decreta que “o descendente” da mulher feriria a cabeça da serpente:

Então, o SENHOR Deus disse à serpente: Visto que isso fizeste, maldita és entre todos os animais domésticos e o és entre todos os animais selváticos; rastejarás sobre o teu ventre e comerás pó todos os dias da tua vida. Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar (vv. 14-15 - ARA). 

Note-se também que o Senhor não deixou a conduta do diabo impune; desde aquele momento, Deus decretou a derrota de satanás pelo Messias vindouro. Em Gênesis 3:14-15, encontra-se, portanto, o “protoevangelho”, o Evangelho em embrião. E aconteceu da forma como o Senhor determinou, o diabo tão somente feriu o calcanhar do Senhor Jesus com suas tentações e perseguições, porque a morte do Messias foi determinação de Deus como propiciação, como pagamento pelo pecado do homem e não obra do diabo; foi Deus quem descarregou sua ira em razão do pecado do homem e determinou a morte de Jesus como substituta da nossa morte, tendo este plano da salvação sido elaborado pela Trindade desde antes da fundação do mundo, conforme se depreende, por exemplo, de Apocalipse 13:8, em que Jesus é referido como o “Cordeiro morto desde a fundação do mundo”, bem como de Efésios 1:4, em que as Escrituras são claras em afirmar que Deus nos escolheu nele, antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante Ele (ver também 2 Tessalonicenses 2:13, Romanos 8:29-30).

III) A “queda” e a atuação da serpente: a operação da iniquidade da rejeição como modelo de conquista do inferno, bem como a necessidade de restauração das capacidades relacionais do homem como uma das essências do Evangelho do Reino de Deus

Uma questão que deve ser ressaltada é a grave consequência da maldição imposta sobre a serpente em Gênesis 3:14, conforme se transcreve novamente: “Então, o SENHOR Deus disse à serpente: Visto que isso fizeste, maldita és entre todos os animais domésticos e o és entre todos os animais selváticos; rastejarás sobre o teu ventre e comerás pó todos os dias da tua vida” (ARA). Ela foi condenada a rastejar e a se alimentar de pó. E nós somos feitos de quê? Do pó da terra, conforme se infere de Gênesis 2:17: “Então, formou o SENHOR Deus ao homem do pó da terra e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida, e o homem passou a ser alma vivente” (ARA). Loucura? Heresia? Não, a mais pura verdade. O diabo, por longas eras, tem se alimentado dos nossos pecados, da nossa natureza corrupta e da nossa maldade para provocar a destruição de tudo que tem fôlego de vida e reflete a criação de Deus, inclusive a destruição da nossa autoimagem criada para refletir a imagem e semelhança de Deus, a qual fica partida e estilhaçada pela operação do inimigo no processo de construção dos padrões de comportamento da iniquidade. Consultando o Dicionário Hebraico do Antigo Testamento de J. Strong, verifica-se que a palavra hebraica para pó é ‘āphār, que pode ser traduzida como poeira pulverizada ou cinzenta, como barro, terra, lama, sendo a mesma palavra usada em Gênesis 2:17 para designar o material usado para formar o primeiro homem (cf. Bíblia de Estudo Palavras-Chave. Rio de Janeiro: CPAD, 2011, p. 1848, verbete 6083 do hebraico). Aliás, o diabo se alimentou tanto e ainda se alimenta de nós, que engordou e cresceu, tendo passado por uma “metamorfose” que o transformou de uma serpente para um grande e horrendo dragão, o que se encontra em Apocalipse 12:3-9:

Viu-se, também, outro sinal no céu, e eis um dragão, grande, vermelho, com sete cabeças, dez chifres e, nas cabeças, sete diademas. A sua cauda arrastava a terça parte das estrelas do céu, (...) E foi expulso o grande dragão, a antiga serpente, que se chama diabo e Satanás, o sedutor de todo o mundo, sim, foi atirado para a terra, e, com ele, os seus anjos (ARA) (grifo nosso).

O poder de destruição do inimigo neste mundo é tão forte que o texto acima transcrito fala que a cauda do dragão arrastava a terça parte das estrelas do céu.
Você ainda acha que o pecado é pouca coisa?
A corrupção do pecado é um mal hereditário que alcança toda a raça humana e é transmitida de geração em geração. Através desta raiz da maldade, qual seja a iniquidade, o inimigo institui a perversão e a destruição que vêm do reino das trevas, modelando as mentes dos homens com todo o tipo de padrão de pensamento desviado da vontade de Deus (fortalezas espirituais ou fortalezas de mente), bem como embrutecendo os corações em patamares ainda mais elevados, não sendo à toa quando as Escrituras dizem que, por se multiplicar a iniquidade, o amor se esfriará de quase todos (Mateus 24:12), isto é, quanto maior o nível de aprofundamento do homem nos padrões distorcidos da iniquidade, menor é a medida de amor que ele tem.
Por meio da operação da iniquidade no ser do homem, o inimigo tem construído seu poderio, de sorte que, conforme dito acima, o mundo jaz no maligno e fica sujeito ao cativeiro da corrupção.

7 Com efeito, o mistério da iniquidade já opera e aguarda somente que seja afastado aquele que agora o detém; 8 então, será, de fato, revelado o iníquo, a quem o Senhor Jesus matará com o sopro de sua boca e o destruirá pela manifestação de sua vinda. 9 Ora, o aparecimento do iníquo é segundo a eficácia de Satanás, com todo poder, e sinais, e prodígios da mentira, 10 e com todo engano de injustiça aos que perecem, porque não acolheram o amor da verdade para serem salvos. 11 É por este motivo, pois, que Deus lhes manda a operação do erro, para darem crédito à mentira, 12 a fim de serem julgados todos quantos não deram crédito à verdade; antes, pelo contrário, deleitaram-se com a injustiça (2 Tessalonicenses 2 – ARA).

O ser humano ficou com um estado emocional corrompido e uma mente reprovável, isto é, com uma estrutural espiritual, mental e emocional adequada para receber o padrão de satanás e do inferno através da operação da iniquidade por meio de manifestações de poder, sinais e prodígios da mentira, de enganos de injustiça, inclusive os enganos relativos à nossa identidade, operações de erro, entre outros meios, a fim de que as pessoas não acolham o amor da verdade para serem salvas.
Qual é o padrão de conquista do diabo? A negação do amor, isto é, a rejeição, em oposição à essência de Deus, que é amor (cf. GUILLEN, Fernando. Se7e Montes. Belo Horizonte: Editora Se7e Montes, 2009, p. 119). A rejeição é uma ferida na alma (mente e emoções), uma raiz de iniquidade, que vem como consequência da negação do amor, uma vez que atinge nossas necessidades fundamentais de aceitação e aprovação, as quais devem ser preenchidas para que o ser humano goze de estabilidade e inteligência emocionais, desenvolva-se e alcance todo o seu potencial. A rejeição causa feridas no “eu” da pessoa, as quais transcendem a esfera da alma, alcançando a mente e o coração, fazendo com que a pessoa se sinta indesejada, não querida, não aceita, não aprovada pelas pessoas e, assim, causando uma série de anormalidades emocionais e mentais na personalidade em decorrência da distorção da autoimagem e autoestima negativa que a pessoa ferida em seus relacionamentos passa a nutrir, tais como ódio, rancor, ressentimento, ira, orgulho ferido, vitimização de si (autocomiseração), desconfiança, insegurança, inveja, competição, complexos de inferioridade, depressão, perfeccionismo, dependência emocional, doenças psicossomáticas.
Todos nós passamos, em algum momento de nossas vidas, por experiências de negação do amor em maior ou menor escala, recebendo feridas de rejeição, sendo as mais profundas aquelas que acontecem de maneira intensa e traumática (ex: abuso sexual, psicológico, físico e/ou religioso) no período da infância e adolescência (e até mesmo na vida intrauterina, já que tudo aquilo que a mãe sente o feto também sente, sendo internalizada memória dele todas as experiências de rejeição que a mãe tenha experimentado em relação a ela ou ao feto – neste sentido, consultar SEAMANDS, David. 2 ed. A Cura das Memórias. São Paulo: Mundo Cristão, 2007, p. 5-17), principalmente quando ocorrem no relacionamento com os pais e familiares e/ou figuras de autoridade, uma vez que é neste tipo de relacionamento que são formatadas na mente e no coração do homem os referenciais de amor, aceitação, aprovação, identidade, segurança, autoridade; se tais relacionamentos são prejudicados pela rejeição, a alma humana fica ferida, apresentando as distorções emocionais e mentais citadas acima, as quais serão transferidas e projetadas em todos os demais relacionamentos, prejudicando a capacidade de se relacionar de forma sadia, inclusive em relação a Deus, a quem não conseguimos ver com uma fonte de amor incondicional; também acabamos por ferir as pessoas com as mesmas armas com as quais nos feriram (neste sentido, GUILLEN, Fernando. O Espírito de Rejeição. Belo Horizonte: Ministério Se7e Montes, s/d. 2 DVD).
O antídoto para as feridas da rejeição é o perdão. O perdão é a porta de entrada do Reino de Deus; só temos a possibilidade de ter relacionamento com Deus, porque Ele primeiramente nos perdoa por intermédio do sacrifício de Cristo na cruz e, de semelhante modo, devemos perdoar as ofensas cometidas contra nós. Jesus é a ponte criada para que possamos atravessar o abismo criado entre nós e Deus em decorrência do pecado. Jesus é a nossa reconciliação com Deus. Falar do Reino de Deus, portanto, é falar de relacionamento e de restauração de relacionamento:

9 Logo, muito mais agora, sendo justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira. 10 Porque, se nós, quando inimigos, fomos reconciliados com Deus mediante a morte do seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida; 11 e não apenas isto, mas também nos gloriamos em Deus por nosso Senhor Jesus Cristo, por intermédio de quem recebemos, agora, a reconciliação (Romanos 5 - ARA).

            Através do sacrifício de Jesus, não somente se abriu a porta para a reconciliação com Deus, mas também recebemos do Senhor a grande comissão para sermos embaixadores de Cristo e pregar, curar e restaurar através da Palavra da reconciliação (2 Coríntios 5:18-20).

A essência do Evangelho é a restauração de relacionamentos. Todos nós temos, em maior ou menor proporção, aspectos relacionais que necessitam de cura e de restauração, porque não há ser humano que não tenha experimentado perdas, frustrações, decepções e/ou traumas decorrentes de seus relacionamentos e, na medida em que estes aspectos relacionais vão sendo restaurados, sobretudo com a liberação do perdão, a atribuição de um novo significado em relação às ofensas praticadas e o desenvolvimento de novas atitudes de retidão de comportamento, de glória em glória, a nossa mente vai sendo transformada dos antigos padrões da iniquidade da rejeição e a nossa personalidade vai sendo restaurada e conformada à imagem e semelhança do nosso Senhor Jesus (2 Coríntios 3:16-18).

[Continua na parte 2]


PABLO LUIZ R. FERREIRA
rugidodaverdade.blogspot.com
pablolrferreira@hotmail.com

segunda-feira, 24 de junho de 2013

CURA GAY? NÃO SEJA ENGANADO COM O QUE A MÍDIA DIZ




Esses dias, a confusão está armada em torno do projeto de lei da “Cura Gay”.
Primeiramente, gostaria de dizer que esse nome chamado de “Cura Gay” foi um nome inventado pela mídia para causar sensacionalismo em torno do projeto de Decreto legislativo nº 234/2011 e, logicamente, barrar o projeto para tornar a questão da homossexualidade como algo indiscutível.
O nome “cura gay” não consta de nenhum dos dispositivos do projeto de decreto legislativo e, para provar isso, acesse o seguinte link da Câmara dos Deputados em que o projeto tramita: http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=505415. Lá você verá a íntegra do projeto, incluindo a sua exposição de motivos e os pareceres dados.
Em nenhum momento, o projeto tomou qualquer orientação discriminatória em relação aos homossexuais. O que se visa é sustar a vigência de dois artigos da Resolução nº 1/99 do Conselho Federal de Psicologia, que estabelece normas de atuação para os psicólogos em relação à questão da orientação sexual.
A malfadada resolução atinge direitos fundamentais básicos do cidadão, notadamente o seu direito à autodeterminação, isto é, o direito que cada pessoa tem de se definir e gerir sua consciência, o direito de uma pessoa que, estando homossexual, não se sente satisfeito com tal orientação e quer ajuda para resolver tal condição e mudar sua orientação sexual. E, para viabilizar tal tratamento, um dos primeiros passos que a pessoa precisa saber é onde encontrar ajuda, onde encontrar um terapeuta que entenda da questão e possa atuar de forma eficaz nesse processo de mudança de orientação, o que é inviabilizado pelos atuais ditames da Resolução nº 1/99, a qual em seu art. 3º, parágrafo único assim dispõe: “Os psicólogos não colaborarão com eventos e serviços que proponham tratamento e cura das homossexualidades”.
Eu não vou entrar no mérito da questão de definir a homossexualidade como doença ou não, bem como o que a psicologia entende por cura. Não é essa a questão, não se está a discutir tais aspectos, já que, é claro, a questão não é de doença. A questão crucial é a defesa de direitos fundamentais do cidadão que quer ajuda e tratamento para mudar de orientação e se vê alvejado por balas de uma “discriminação inversa” e é obrigado a engolir que sua situação não tem jeito.
Por que a homossexualidade não tem tratamento? Só por que o movimento GLBT diz? Por que as pessoas são obrigadas a aceitar que essa é uma questão que não pode ser debatida? Só por que o movimento GLBT diz?
Assim dispõe o art. 4º da Resolução assim diz: “Os psicólogos não se pronunciarão, nem participarão de pronunciamentos públicos, nos meios de comunicação de massa, de modo a reforçar os preconceitos sociais existentes em relação aos homossexuais como portadores de qualquer desordem psíquica”. Tal dispositivo viola os direitos fundamentais de livre expressão, de manifestação do pensamento, de liberdade de crença, bem como da liberdade da atividade intelectual, que não pode ser submetida a censura ou licença, além de cercear a autonomia do profissional de psicologia na atuação da corrente científica que acredita.
Essa é uma questão tão autoritária que o profissional de psicologia não pode nem se manifestar sobre o assunto, nem anunciar a pesquisa de forma pública ou tampouco anunciar que seu consultório é especializado em tal questão de ajuda profissional a pessoas que querem mudar sua orientação sexual e, sem esse sagrado direito à informação, a pessoa fica inviabilizada de encontrar a ajuda adequada.
Não se trata de questão de doença que necessita de cura, mas de uma dor, de um conflito existencial que necessita ser tratado sim; ninguém pode impor para alguém, nem mesmo o movimento GLBT, que uma pessoa tenha de se conformar com uma dor não resolvida e assumir uma “identidade gay”.
Tratamento? Sim, existe sim. E não são poucos os profissionais que acenam nessa direção e tanto é assim que, por exemplo, um grupo norte-americano de psicólogos fundou o NARTH (Associação Norte-Americana para Pesquisa e Tratamento da Homossexualidade), a qual tem produzido ampla pesquisa sobre esse assunto e capacitado muitos terapeutas a atuar nessa área: www.narth.com
Enfim, não se quer discriminar o movimento GLBT, mas espero da parte deles que eles respeitem a liberdade de quem quer mudar.

Pablo Ferreira – 21 de junho de 2013.     


   



domingo, 26 de maio de 2013

DUALIDADE





Tenho feito muitas reflexões a respeito da mente humana na leitura do livro “Imerso em Deus”, de L. Emerson Ferrell e posso dizer que o marca o pensamento humano é a DUALIDADE.

Nós ainda separamos as coisas em esferas opostas dentro de uma mesma realidade que é única; partimos e separamos aquilo que é inteiro em pedaços para atender nossas necessidades pessoais; separamos os planos profissionais dos "planos de Deus", separamos o espiritual do material, o pessoal do profissional, o afetivo do racional, quando, em verdade, a realidade é única e o ser humano integral: somos corpo, alma (mente e emoções) e espírito.

Nosso mal, como seres humanos, é a DUALIDADE: O mal de deixar Deus de fora da visão de nossos chamados "planos pessoais". Se um chamado "plano pessoal" se frustrou e nos causou dor, devemos sentir essa dor, mas ter a consciência de que as perdas são uma porta para uma vida de valores mais elevados na presença de Deus. Muitas coisas simplesmente desabam em nossa cabeça, porque nós simplesmente não buscamos a direção de Deus e dissemos embora sem verbalizar: "seja feita a minha vontade".

Como crentes em Cristo, quando perdemos algo, devemos reavaliar o rumo que a nossa vida está tomando já que, como disse C. S. Lewis, a dor é o megafone de Deus. A dor é uma oportunidade para corrigir rotas, quer seja uma dor da perda de uma expectativa profissional, uma pessoa, um bem, etc.

E pensar como Paulo: "Mas o que, para mim, era lucro, isto considerei perda por causa de Cristo. Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual perdi todas as coisas e as considero como refugo, para ganhar a Cristo" (Filipenses 3:7-8).

PENSE.

A CURA DESTE MUNDO COMEÇA COMIGO





PENSE: A CURA DESTE MUNDO COMEÇA COMIGO

Não espere pelo outro, por aquele que te feriu, abandonou ou te causou vergonha ou por sua expectativa pessoal que se frustrou.

DEPENDE DE MIM DAR O PRIMEIRO PASSO PARA QUE ESTE MUNDO SEJA MENOS TÓXICO EMOCIONALMENTE.

Quando sou consciente das redes de minha memória que apontam para o quanto sou imperfeito, falho, envergonhado e desintegrado das pessoas, mais tenho condições de ter misericórdia do outro, entendê-lo, vendo nele uma miséria que fundamentalmente também é minha, uma miséria que compartilho como parte integrante de ser humano e isso me capacita a perdoar as ofensas, reconstruir relacionamentos, exigir menos do outro e me conscientizar de que preciso ser um bom cuidador de mim mesmo.

Uma apreciação honesta e profunda de mim mesmo e das minhas falhas através da confissão e pedido de perdão diante de Deus, de amigos confiáveis e de quem precisamos perdoar e/ou pedir perdão abre caminho para enterrar a nossa justiça própria, o nosso orgulho e desenterrar o amor que nem eu mesmo achava que tinha, servindo de base para relacionamentos mais sólidos e empáticos.

SINCERIDADE, CONFISSÃO E PERDÃO são formas de dizer adeus a uma vida desintegrada; de dizer adeus ao lixo tóxico que contamina o mundo, o pecado, que nos afasta de Deus, do outro e das partes mais lindas e criativas do nosso ser.

Tiago 5:16: "Confessai, pois, os vossos pecados uns aos outros e orai uns pelos outros, para serdes curados. Muito pode, por sua eficácia, a súplica do justo".

Hebreus 12:15: "atentando, diligentemente, por que ninguém seja faltoso, separando-se da graça de Deus; nem haja alguma raiz de amargura que, brotando, vos perturbe, e, por meio dela, muitos sejam contaminados;"

DIGA ADEUS AO LIXO EMOCIONAL TÓXICO QUE TE MATA E LIMPE O MUNDO. PERDOE.

O QUE TERIA ACONTECIDO SE DEUS TIVESSE SE ESQUECIDO DE VOCÊ?





Medite no Salmo 28 e reflita: "o que teria acontecido se Deus tivesse se esquecido de você?"

Medite e traga a memória as lembranças de todas as pessoas através das quais o Senhor usou para lhe amar e mostrar que você foi lembrado.

Você com certeza perceberá que foi mais amado do que pensa. Faça disso um pilar para a sua vida.

E quanto àquelas pessoas que você gostaria que tivessem lhe amado mais ou de uma determinada maneira ou que não tivesse sido tão ásperas ou indiferentes?

Aprenda a ser realista e perceba que essa pessoa tentou lhe amar da forma que pôde e que ela mesma não pôde dar mais porque ela não tinha para si, não recebeu, porque só damos o que recebemos e você não pode dar o que não recebeu. Lembre-se de ser realista, já que as expectativas irreais são o caminho mais rápido para a ira. Aceite essa pessoa como ela é e que agora você pode fazer o melhor para ser um bom cuidador de si mesmo.

Um abraço, do irmão que lhe ama muito, Pablo Ferreira.

domingo, 28 de abril de 2013

A MENTALIDADE DA GRAÇA NAS RELAÇÕES DE AMIZADE



Hoje, vivemos numa era na qual nós somos avaliados pelo que temos e pelo que fazemos, ou seja, vivemos submergidos numa mentalidade de desempenho, na qual o mais importante são nossas conquistas e posses, de tal maneira que nos convertemos em “fazeres humanos”, tendo nos afastado da essência do “ser humano”, que é aceitar o semelhante pelo que ele é e estabelecer vínculos de afetividade, inclusive de amizade, que validem nossa existência por médio da satisfação dos sete desejos fundamentais de nosso coração: o desejo de ser escutado e compreendido, afirmado, abençoado, estar seguro, ser tocado, escolhido e aceitado.
O ser humano foi criado por Deus de tal maneira que ele precisa afetivamente de seu semelhante para se desenvolver por completo e, por certo, isto inclui ter família e amigos; entretanto, a tragédia deste tempo é que não aceitamos as pessoas por quem elas são. Nós somos tão impregnados desta mentalidade de desempenho, marcada pela competição e pelo capitalismo, que não sabemos muitas vezes, por exemplo, receber um presente de outra pessoa sem pensar que ela quer algo em troca, que quer obter alguma vantagem. Ninguém pensa que damos um presente porque queremos nos vincular com a outra pessoa em virtude de sua personalidade, qualidades positivas, companhia, amor, carinho, segurança, afirmação que ela expressa. Temos, por consequência, uma mentalidade marcada pela desconfiança que nos afasta de conhecer e ser conhecido pela outra pessoa em profundidade e, por isso, esta é uma ferida cultural global que temos que destruir para ter saúde emocional.
No entanto, a linguagem que traz saúde emocional é a linguagem da aceitação incondicional, ou seja, aceitar as pessoas por quem são, independente de suas conquistas, posses ou pelo que possam fazer em nosso favor. Esta, por exemplo, era a linguagem de Jesus Cristo, que resumiu toda a verdadeira religião em dois mandamentos positivos: “ama ao Senhor teu Deus com todo teu coração, com todo teu ser e com toda tua mente” e “ama a teu próximo como a ti mesmo” (Mateus 22:37-39, Nova Versão Internacional).
Podemos não concordar com tudo o que muitas pessoas fazem e pensam, mesmo nossos amigos, familiares ou pessoas que nunca vimos, mas podemos aceitá-las pelo valor de serem preciosas como “seres humanos”. Devemos semear amor porque certamente colheremos amor e seremos transformados por ele nas relações interpessoais pela satisfação dos sete desejos fundamentais de nosso coração. Esta é a mentalidade da graça, uma aceitação incondicional de nossos semelhantes, um presente imerecido que se concede, independente das condutas ou conquistas e que nos enche e nos valida como seres humanos.
Se tentarmos aceitar as pessoas segundo nossas expectativas e exigências pessoais e muitas vezes irreais e abusivas, facilmente nos ressentiremos com elas e nutriremos uma ira arraigada por nossos desejos insatisfeitos e isto consumirá nossa paz interior. Devemos renunciar as expectativas desproporcionais em relação às pessoas, os amigos e familiares, aceitá-los, entender sua história de vida, tolerar suas deficiências, escutá-los de forma empática; devemos também aprender a ser bons cuidadores de nós mesmos para satisfazer nossas necessidades de forma sã, sem demandar de outras pessoas qualquer restituição por nossos desejos e expectativas insatisfeitos e desenvolver e manter nossa paz interior.
Em resumo, a aceitação condicional traz ira e ressentimento frequente e a aceitação incondicional traz a paz e saúde emocional duradouras; é nossa decisão viver o inferno das expectativas insatisfeitas ou viver o céu de ser um bom cuidador de si mesmo e entender o semelhante como ele é. Nós é que decidimos a maneira como queremos estar vinculados ao outro, se pelo amor, pelo ódio, pela indiferença... A decisão é sua.



Pablo Luiz Rodrigues Ferreira
adaptação de uma redação apresentada ao curso de espanhol – nível intermediário – 22 de fevereiro de 2013
rugidodaverdade.blogspot.com

quarta-feira, 10 de abril de 2013

CRÔNICA DE UMA RELIGIOSIDADE






Como cristão, tive a oportunidade de viver no meio de dois extremos.
Vivi em uma igreja tradicional desde pequeno até uma boa parte da vida adulta. Era uma igreja que não tinha muita coisa se comparada com as grandes “babilônias” que arrebanham tantas pessoas hoje ou mesmo de grandes igrejas que são frutíferas e têm muitos ministérios para ajudar as pessoas.
É uma igreja simples em que todos se conhecem e procuram ser amigos. Tem um louvor muito lindo, pessoas com dons e um enorme zelo pela pureza do Evangelho e do ensino da Palavra com muita substância e profundidade, mas não tem entretenimento.
Por direção de Deus e por questões pessoais, passei para uma igreja “renovada” para tratar questões pessoais. Chegando lá, percebi que o Evangelho que aprendi na igreja tradicional era todo “errado”, era “religiosidade”, era a casa de “satanás” que prendia as pessoas em uma estrutura de formalismo.
Sei lá, tudo isso é muito forte, mas segui adiante tendo a certeza de que uma congregação não pode ser julgada nesse nível.
Cara, fui muito ajudado na igreja “renovada” (nisso agradeço ao meu primeiro discipulador, minha pastora super inteligente e cheia de amor e de unção de Deus – ah, é a senhora mesmo pastora Nazaré, kkkkk e os meus atuais discipuladores), mas também vi uma “multidão” de pessoas que entravam e saiam da igreja como um drive-through buscando uma comida fast food.
Vi muito entretenimento sem a substância da vida de Cristo, porque as mesmas pessoas que pulavam e babavam “cheias do poder de Deus”, logo estavam em um curto espaço de tempo vivendo as iniquidades próprias de seu caráter marcado pela leviandade e pela efemeridade, como plantas que morrem sem ter uma raiz que as sustente.
Também não tenho o poder de julgar e dizer que uma igreja que proporciona entretenimento é “religiosa”, como também já vi muitos dizerem (e até mesmo eu disse muitas vezes).
Já fui até chamado de “religioso” pelo simples fato de não concordar com um jogo de luz dentro da igreja para o culto de jovens (coisa de boate, né?) e de não concordar com uma “micareta gospel” (coisa de carnaval fora de época na Bahia, né?).
“Todos os ritmos foram feitos por Deus”, dizem. Parece até aquela frase: “todos os caminhos levam a Deus”. Será que tudo é válido só porque leva o nome de Deus?
Será que a “religiosidade” não é assumir formas que Deus não nos mandou que assumíssemos como se elas fossem capazes de dar alguma substância ou trazer uma essência? Será que o “fazei tudo para a glória de Deus” em tudo que façamos (I Coríntios 10:31) inclui transplantar para a igreja as formas que comumente temos no mundo, suas festas, seus ritmos, suas celebrações?
A palavra de Deus diz em Romanos 12:2: “E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus” (Almeida Corrigida Fiel).
“Não sede conformados com este mundo“, isto é, não devemos tomar as formas desse mundo decaído. Fomos chamados para sermos diferentes do mundo e ganhar as pessoas pelo amor de Deus; somos diferentes, porque somos separados pela verdade, portanto, o “fazei tudo para a glória de Deus” não inclui “ser conformado com esse mundo”, tomar as formas desse mundo e, assim sendo, nem toda a forma de entretenimento que trazemos para a igreja é válida e aceitável por Deus.
Essa é só a minha opinião, porque as coisas de Deus tem de feitas com ordem e com decência (I Coríntios 14:40) e porque entendo que devemos ter zelo pela casa de Deus.
Uma opinião pela qual desde já sei que serei taxado de “religioso”.
Quero externar e ponderar que não é só a questão do entretenimento na igreja, mas uma série de outros assuntos que não concordo, até mesmo porque toda unanimidade é burra. A pior coisa é retirar do ser humano a capacidade que Deus lhe deu de ponderar e avaliar, até mesmo porque “todas as coisas nos são lícitas, mas nem todas me convém; todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma delas” (I Coríntios 6:12).
Não vou julgar nenhum líder que traz esses entretenimentos para dentro da igreja, nem vou julgar aqueles que só ensinam a palavra na igreja como se a igreja fosse “morta” como muitos dizem.
Quem sou eu para dizer onde tem vida ou morte?
Não os taxarei de “religiosos” ou “levianos”; não tenho esse direito; só Deus conhece os corações e os desígnios dos homens.
Não vou julgar aqueles que têm uma determinada “visão de multidão” como se isso fosse a resposta para as mazelas desse mundo caído.
Não. Vou conviver e respeitar.
Creio que a maior “religiosidade” são os muitos julgamentos, manipulações, controles e “encantamentos” que fazemos com a tentativa de que os outros sejam do jeito que queremos ou então para que as pessoas ajam de acordo com os nossos projetos pessoais ou os projetos da corporação religiosa.
Como cristãos, somos diferentes: nosso trabalho é expor a verdade bíblica e amar; e que cada um seja livre para se autodeterminar de forma responsável, sabendo que prestará contas de seus atos diante de Deus.
A maior “religiosidade” é a intolerância. É colocar uma “pecha”, um “rótulo” de “religioso” e “rebelde” ou mesmo julgando alguém de “leviano” para aqueles que não concordam com algo, até mesmo porque temos a mesma fé, mas podemos discordar.
O que seria de nós se os profetas de Deus tivessem se calado diante de tanta iniquidade no meio do povo? Não teríamos as melhores porções da Palavra, a exemplo de Isaías, Jeremias, Ezequiel e Oseias que consumiram a vida pela causa de Deus.
Um princípio muito esquecido é o constante em I Coríntios 8:13 no que tange a comida sacrificada a ídolos: “E, por isso, se a comida serve de escândalo a meu irmão, nunca mais comerei carne, para que não venha a escandalizá-lo” (Almeida Revista e Atualizada).  
Nossa maior preocupação tem de ser a de não escandalizar o nosso irmão com as nossas obras “mortas” para que ele não enfraqueça na fé, mas sem estuprar os princípios bíblicos em nome de um sistema.
Sei que a alegria é um fruto do Espírito Santo e, por certo, fomos feitos por Deus para desfrutar das coisas boas da vida e do prazer, mas não compactuo com a opinião de que só porque a pessoa não concorda com um tipo de estrutura ou entretenimento tenha de ser taxada de “religiosa”. Alegria e prazer nunca tiveram o poder de santificar absolutamente nada.
A pessoa pode até não concordar com as nossas opiniões, mas ela pode estar fazendo o que pode para contribuir para o corpo de Cristo e amando as pessoas que o Senhor coloca em seu caminho, plantando o bem e contribuindo para que este mundo seja colorido com as tintas do Criador.
Sinceramente, não creio em um Evangelho em que as pessoas sejam tratadas na superficialidade de suas questões, mas é só a minha opinião, ok?
Da minha parte farei de tudo para amar as pessoas, gostem elas de uma “micareta gospel” (a minha estagiária ama, kkkkk, e eu a amo, kkkkk), de uma “boate gospel”, de um culto ordenado que só tem ensino da palavra ... Todos sem julgamento.
Amor. Será que temos o direito de dizer que alguém não o tem?

Pablo Luiz R.Ferreira
rugidodaverdade.blogspot.com

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

CONECTADOS TECNOLOGICAMENTE, MAS DESCONECTADOS RELACIONALMENTE




Nós estamos numa era em que há uma dominância das tecnologias da informação; por meio da internet, nós podemos facilmente acessar a informação, ter acesso a uma multidão de produtos, serviços e conhecer muitas pessoas on line.
O mundo funciona sob o fundamento de possuir conhecimento e ele traz poder; somente aqueles que têm qualificação técnica podem acessar as posições mais altas da sociedade, de tal modo que nossos sistemas educacionais seguem esta pressão e enchem nossos cérebros de informação sobre coisas e os fatos a elas relacionados, descrevendo as relações de causa e efeito para provar as hipóteses que compõem o conhecimento considerado válido para os fins da ciência humana, o que é uma herança do pensamento da epistemologia grega, especialmente de Aristóteles.
Qual é o resultado desta busca desenfreada por possuir conhecimento e posições cada vez mais altas na sociedade?
A Bíblia dá-nos a resposta, no livro de Eclesiastes, capítulo 1, versículo 18, e assim nos diz: “Porque na muita sabedoria há muito enfado; e quem aumenta ciência aumenta tristeza” (Bíblia na versão Almeida Revista e Atualizada - ARA).
A consequência desta busca é enfadonha e dolorosa porque este tipo de conhecimento, segundo as descobertas da neurociência, trabalha tão somente o hemisfério cerebral esquerdo, responsável pelo processamento do conhecimento linear, lógico, literal e linguístico. Nesta busca por conhecimento, acabamos por nos isolar de nosso semelhante, deixamos de cultivar relações interpessoais profundas e saudáveis que validem também nossa existência num nível emocional e afetivo, os quais são atrelados à atividade mental do hemisfério cerebral direito [1].
Nós, como seres humanos, precisamos de amor, aceitação e aprovação para que possamos desenvolver-nos por completo e emocionalmente sadios, o que implica cultivar relações sãs de afeto e confiança, ou seja, cultivar as formas de conhecer do hemisfério cerebral direito, responsável pela captação (através dos neurônios espelho) e processamento das experiências concretas de relacionamento que nós temos e que são as únicas que podem validar nossa existência pela satisfação dos sete desejos fundamentais de nosso coração, quais sejam o desejo de ser escutado e compreendido, afirmado, abençoado, estar seguro, ser tocado, escolhido e aceito [2].
Amor, aceitação e afeto não são questões ligadas ao conhecimento lógico, mas são questões relacionais. O conhecimento lógico não é apto para satisfazer nossas necessidades afetivas elementares; é algo que adquirimos ou não, em nossas relações desde a infância, especialmente com nossos primeiros cuidadores, nossos pais e figuras de autoridade.
O ser humano desenvolve-se principalmente a partir de referenciais de paternidade, maternidade e de figuras de autoridade, as quais constroem em nossa mente e coração a satisfação das mencionadas necessidades afetivas, os sete desejos de todo o coração, para garantir a efetividade da estabilidade emocional, a qual é imprescindível para que possamos atingir todo nosso potencial.
Em consequência dessa era da conexão digital e da informação, dessa busca de conhecimento com a finalidade de obter os empregos e posições mais elevadas na sociedade, ou também por uma questão de sobrevivência socioeconômica, temos abandonado nosso tempo para cultivar os vínculos afetivos, especialmente pela ausência de tempo de qualidade, palavras de afirmação e incentivo, contacto físico sadio (beijos e abraços) por parte de nossos primeiros cuidadores e outros, o que faz com que a aquisição de conhecimento seja uma tarefa que traga enfado e dor, justamente por nosso isolamento emocional.
Se estes desejos não são satisfeitos de forma sadia na etapa de desenvolvimento psicossocial (infância e adolescência), ficaremos subdesenvolvidos, vazios emocionalmente e com uma dor interna e frustração por causa disso e, por via conseqüência, tentaremos compensar nossa perda afetiva de maneira disfuncional, ansiosa e adictiva (viciosa), estabelecendo relações marcadas pela dependência emocional, possessividade, ira, ciúme, inveja, mentiras, controle e manipulação do outro para nos satisfazer de maneira egoísta, como se disso dependesse nossa sobrevivência.
Quando nossas relações se esgotam e não se desenvolvem, desata-se a tentação de diversos tipos de adicções (vícios) [3], tal como o uso do sexo como uma maneira substituta da intimidade, as drogas, o vício de trabalhar, de estudar, etc., e as doenças psicossomáticas, como os transtornos de ansiedade, pânico, depressão e outras.
Uma vez mais, a Santa Bíblia traz-nos o diagnóstico e o caminho da sanidade: “O saber ensoberbece, mas o amor edifica. Se alguém julga saber alguma coisa, com efeito, não aprendeu ainda como convém saber. Mas, se alguém ama a Deus, esse é conhecido por ele” (Primeira carta de Paulo aos coríntios, capítulo 8, versículos 1-3, ARA). O conhecimento ensoberbece, enquanto o amor edifica porque esta é a essência do próprio Deus, que nos projetou para receber amor como forma de desenvolvimento de nossa personalidade.
O conhecimento não é mau em si mesmo, mas ele não afeta a parte cerebral responsável pela mudança do comportamento, o hemisfério cerebral direito. O conhecimento lógico e linear é bom caso se trate de coisas, mas não quando se trata de pessoas porque quando eu sei que sei algo porque logicamente posso demonstrá-lo (forma de processamento mental do hemisfério cerebral esquerdo), afasto-me da confiança (forma de processamento mental do hemisfério cerebral direito); quando já não confio, não estou aberto a permitir que o outro me conheça, afastando as pessoas, fechando a possibilidade de amor profundo e intimidade verdadeira.
Este processo de isolamento emocional também se aprofunda por outras causas afetas ao desenvolvimento psíquico e emocional, tal como o sistema familiar predisposto à rejeição, abusos sexuais, físicos e emocionais, insultos, abandono, descuido, divórcios, conflitos familiares sem resolver [4], além da violência espiritual, imposição de medo e vergonha [5], de forma que acabamos por construir paredes de proteção emocional e relacional que obstaculizam a vinculação sadia com nossos semelhantes para evitar que sejamos novamente feridos emocionalmente e passamos a desenvolver mecanismos de sobrevivência para conviver com a frustração e a ansiedade da dor não curada, tal como os escapismos, as fantasias e os vícios, inclusive os sexuais, a dependência emocional, etc. [6]  
O amor verdadeiro é a cura para todas as feridas emocionais:

O amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece, não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal; não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta (Primeira carta de Paulo aos coríntios, capítulo 13, versículos 4-8, ARA).
                         
Relações de amor e amizade deste tipo podem nos curar caso tenhamos perdido os vínculos apropriados em nosso desenvolvimento emocional porque nos trazem empatia e afetividade, alegria, paz, paciência, bondade, fé, mansidão, domínio próprio; estas são qualidades comportamentais, interpessoais, que se vinculam com a atividade mental do hemisfério cerebral direito e que só podem ser produzidas nas relações marcadas pelo amor, o afeto, a confiança, a empatia e o correto exercício da direção da autoridade, em fim, tais relações são as únicas que podem cumprir com as sete necessidades fundamentais do homem referidas anteriormente, substituindo e resolvendo os padrões das relações rompidas e disfuncionais que tivemos no passado, particularmente com o perdão das ofensas cometidas contra nós.
Tanto é assim que, adiante das novas descobertas das neurociências, uma parte mais contemporânea da psicologia prega que o psicoterapeuta não é um sujeito indiferente que opina e oferece soluções para os conflitos do aconselhado, mas tem de ser um agente de escuta empática para promover a mudança da conduta através do incentivo e do estabelecimento de uma “ressonância emocional” que facilite a cura psicológica.   
Em síntese, devemos procurar o conhecimento lógico e linear para obter o nosso bem-estar socioeconômico, mas não devemos esquecer-nos de cultivar relações de amor e confiança, inclusive com a ajuda profissional caso nos seja necessária, e sanar as relações rompidas e disfuncionais para que possamos desenvolver-nos por completo e conseguir o máximo de nosso potencial para viver uma vida melhor.

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[1] THOMPSON, Curt. Anatomy of the Soul: Surprising connections between neuroscience and spiritual practices that can transform your life and relationships. Tyndale Publishing House, 2010, p. 8-34.
[2] LAASER, Mark; LAASER, Debra. Los Siete Deseos de Todo Corazón. Miami: Editorial Vida, 2009, p. 13.
[3] Prólogo de Gary Smalley in: LAASER, Mark R. Cómo sanar las heridas de la adicción sexual. Miami: Vida, 2005, p. 7.
[4] COHEN, Richard. 10ª ed. Comprender y sanar la homosexualidad. Madrid: Editorial Libros Libres, 2012, p. 58-94.
[5] LAASER, Mark R. Cómo sanar las heridas de la adicción sexual. Miami: Vida, 2005, p. 75-111.
[6] LAASER, Cómo sanar las heridas de la adicción sexual, p. 113-122.

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OBSERVAÇÃO: Este texto é fruto de meus estudos em língua espanhola, tendo sido originalmente apresentado como um trabalho de redação para a avaliação do 1° nível do curso de idiomas Castilla. Ele marca a tônica das e-pístolas que desenvolverei ao longo de 2013, a qual conciliará a renovação da mente e das emoções não só de um ponto de vista espiritual, mas também com o conhecimento que as neurociências nos trazem a respeito do funcionamento do cérebro, que é o hardware da alma e do espírito. Nesta oportunidade, quero agradecer ao professor Antonio Martínez Nodal pelo incentivo, ensino consistente e correção do texto original em espanhol anteriormente postado neste blog. Agradecer ao amigo Savio Prado pelo incentivo em produzir textos em espanhol. 

A paz de Deus seja com todos.


Pablo Luiz Rodrigues Ferreira
rugidodaverdade.blogspot.com
pablolrferreira@hotmail.com
Traduzido e adaptado do trabalho de redação apresentado para o primeiro nível do curso de espanhol
Curso de Idiomas Castilla
Janeiro de 2013 – curso de férias
Professor Antonio Martínez Nodal     

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

CONECTADOS TECNOLÓGICAMENTE, PERO DESCONECTADOS RELACIONALMENTE



Nosotros estamos en una era en que hay una dominancia de las tecnologías de la información; por medio de Internet, nosotros podemos fácilmente acceder a la información, tener acceso a una multitud de productos, servicios y conocer muchas personas en línea. 
El mundo funciona en base al poseer conocimiento y él trae poder; solamente aquellos que tienen calificación técnica pueden acceder a las posiciones más altas de la sociedad de tal modo que nuestros sistemas educacionales siguen esta presión y llenan nuestros cerebros de información sobre cosas y los hechos a ellas relacionados, describiendo las relaciones de causa y efecto para probar las hipótesis que componen el conocimiento considerado válido para los fines de la ciencia humana, lo que es una herencia del pensamiento de la epistemología griega, especialmente de Aristóteles.
¿Cuál es el resultado de esta búsqueda desenfrenada por poseer conocimiento y posiciones cada vez más altas en la sociedad?
La Santa Biblia nos da la respuesta, en el libro de Eclesiastés, capítulo 1, versículo 18, y así nos dice: “Porque en la mucha sabiduría hay mucha molestia; y quien añade ciencia, añade dolor” (Biblia en la traducción Reina-Valera 1960).
La consecuencia de esta búsqueda es molesta y dolorosa porque este tipo de conocimiento, según los descubrimientos de la neurociencia, trabaja tan solamente el hemisferio cerebral izquierdo, responsable del procesamiento del conocimiento linear, lógico, literal y lingüístico. En esta búsqueda por conocimiento, acabamos por aislarnos de nuestro semejante, dejamos de cultivar relaciones interpersonales profundas y saludables que validen también nuestra existencia en un nivel emocional y afectivo, los cuales son enlazados a la actividad mental del hemisferio cerebral derecho[1].
Nosotros como seres humanos necesitamos de amor, aceptación y aprobación para que podamos desarrollarnos por completo y emocionalmente sanos, lo que implica cultivar relaciones sanos de afecto y confianza, o sea, cultivar las formas de conocer del hemisferio cerebral derecho, responsable de la captación (a través de las neuronas espejo) y procesamiento de las experiencias concretas de relacionamiento que nosotros tenemos y que son las únicas que pueden validar nuestra existencia por la satisfacción de los siete deseos fundamentales de nuestro corazón, cuáles sean el deseo de ser escuchado y comprendido, afirmado, bendecido, estar seguro, ser tocado, escogido y aceptado[2].
Amor, aceptación y afecto no son una cuestión de conocimiento lógico, pero si una cuestión relacional. El conocimiento lógico no es apto para satisfacer nuestras necesidades afectivas elementales; es algo que adquirimos o no, en nuestras relaciones desde la niñez, especialmente con nuestros primeros cuidadores, nuestros padres y figuras de autoridad.
El ser humano se desarrolla principalmente a partir de referentes de paternidad, maternidad y de figuras de autoridad, las cuáles construyen en nuestra mente y corazón la satisfacción de las mencionadas necesidades afectivas, los siete deseos de todo corazón, para garantizar la efectividad de la estabilidad emocional, la cual es imprescindible para que podamos atender todo nuestro potencial.
En consecuencia de esa era de la conexión digital y de la información, de esa búsqueda de conocimiento con la finalidad de obtener los empleos y posiciones más elevadas en la sociedad, o también por una cuestión de supervivencia socioeconómica, hemos abandonado nuestro tiempo para cultivar los vínculos afectivos, especialmente por la ausencia de tiempo de calidad, palabras de afirmación e incentivo, contacto físico sano (besos y abrazos) por parte de nuestros primeros cuidadores y otros, lo que hace que la adquisición de conocimiento sea una tarea que traiga molestia y dolor, justamente por nuestro aislamiento emocional.
Si estos deseos no son satisfechos de forma sana en la etapa de desarrollo psicosocial (niñez y adolescencia), quedaremos subdesarrollados, vacíos emocionalmente y con un dolor interno y frustración por eso, por consiguiente   intentaremos compensar nuestra pérdida afectiva de manera disfuncional, ansiosa y adictiva, estableciendo relaciones marcadas por la dependencia emocional, posesividad, ira, enojo, celos, envidia, mentiras, control y manipulación del otro para satisfacernos de manera egoísta, como si de eso dependiera nuestra supervivencia.
Cuando nuestras relaciones se agotan y no se desarrollan, se desata la tentación de diversos tipos de adicciones, vicios[3], tal como el uso del sexo como una manera sustituta de la intimidad, las drogas, el vicio de trabajar, de estudiar, etcétera, y las enfermedades psicosomáticas, como los trastornos de ansiedad, pánico, depresión y otras.
Una vez más, la Santa Biblia nos trae el diagnostico y el camino de la sanación: “El conocimiento envanece, mientras que el amor edifica. El que cree que sabe algo, todavía no sabe como debiera saber. Pero el que ama a Dios es conocido por él” (Primera carta de Pablo a los corintios, capítulo 8, versículos 1-3, Biblia en la traducción de la Nueva Versión Internacional). El conocimiento envanece, mientras que el amor edifica porque esta es la esencia del propio Dios, que nos proyectó para recibir amor como forma de desarrollo de nuestra personalidad.
El conocimiento no es malo en si mismo, pero él no afecta la parte cerebral responsable para el cambio del comportamiento, el hemisferio cerebral derecho. El conocimiento lógico y linear es bueno si se refiera a las cosas, pero no para personas porque cuando yo sé que sé algo porque lógicamente puedo demostrarlo (forma de procesamiento mental del hemisferio cerebral izquierdo), me aparto de la confianza (forma de procesamiento mental del hemisferio cerebral derecho); cuando ya no confío, yo no estoy abierto a permitir que el otro me conozca, alejando a las personas, cerrando la posibilidad de amor profundo y intimidad verdadera.
Este proceso de aislamiento emocional también se profundiza por otras causas ligadas al desarrollo psíquico y emocional, tal como el sistema familiar predispuesto al rechazo, abusos sexuales, físicos y emocionales, insultos, abandono, descuido, divorcios, conflictos familiares sin resolver[4], allá de la violencia espiritual, imposición de miedo y vergüenza[5], de forma que acabamos por construir paredes de protección emocional y relacional que obstaculizan la vinculación sana con nuestros semejantes para evitar que seamos nuevamente heridos emocionalmente y pasamos a desarrollar mecanismos de supervivencia para convivir con la frustración y la ansiedad del dolor no sanado, tal como los escapismos, las fantasías y las adicciones, incluso las sexuales, la dependencia emocional, etcétera[6].   
El amor verdadero es la sanación para todas las heridas emocionales:

El amor es paciente, es bondadoso. El amor no es envidioso ni jactancioso ni orgulloso. No se comporta con rudeza, no es egoísta, no se enoja fácilmente, no guarda rencor. El amor no se deleita en la maldad sino que se regocija con la verdad. Todo lo disculpa, todo lo cree, todo lo espera, todo lo soporta. El amor jamás se extingue, mientras que el don de profecía cesará, el de lenguas será silenciado y el de conocimiento desaparecerá (Primera carta de Pablo a los corintios, capítulo 13, versículos 4-8, Biblia en la traducción de la Nueva Versión Internacional).                          

Relaciones de amor y amistad de este tipo pueden sanarnos si hemos perdido los vínculos apropiados en nuestro desarrollo emocional porque él nos trae empatía y afectividad, alegría, paz, paciencia, bondad, fe, mansedumbre, templanza; estas son cualidades conductuales, interpersonales, que se vinculan con la actividad mental del hemisferio cerebral derecho y que sólo pueden ser producidas en las relaciones marcadas por el amor, el afecto, la confianza, la empatía y el correcto ejercicio de la dirección de la autoridad, en fin, tales relaciones son los únicos que pueden cumplir con las siete necesidades fundamentales del hombre referidas anteriormente, sustituyendo y resolviendo relaciones rotas y disfuncionales que tuvimos en el pasado, particularmente con el perdón de las ofensas cometidas contra nosotros.
Tanto es así que, delante de los nuevos descubrimientos de las neurociencias, una parte más contemporánea de la psicología predica que el psicoterapeuta no es un sujeto indiferente que apenas opina y ofrece soluciones para los conflictos del aconsejado, pero tiene que ser un agente de escucha empática para promover el cambio de la conducta a través del incentivo y del establecimiento de una “resonancia emocional” que facilite la sanación psicológica.    
En resumen, debemos buscar el conocimiento lógico y linear para obtener nuestro bien estar socioeconómico, pero no debemos olvidar de cultivar relaciones de amor y confianza, incluso con la ayuda profesional si nos fuera necesaria,  y sanar las relaciones rotas y disfuncionales para que podamos desarrollar por completo y lograr el máximo de nuestro potencial para vivir una vida mejor.


Pablo Luiz Rodrigues Ferreira
Trabajo de redacción para el primero nivel de español
Curso de Idiomas Castilla
Enero de 2013 – curso de vacaciones
Profesor Antonio Martínez Nodal      



[1] THOMPSON, Curt. Anatomy of the Soul: Surprising connections between neuroscience and spiritual practices that can transform your life and relationships. Tyndale Publishing House, 2010, p. 8-34.
[2] LAASER, Mark; LAASER, Debra. Los Siete Deseos de Todo Corazón. Miami: Editorial Vida, 2009, p. 13.
[3] Prólogo de Gary Smalley in: LAASER, Mark R. Cómo sanar las heridas de la adicción sexual. Miami: Vida, 2005, p. 7.
[4] COHEN, Richard. 10ª ed. Comprender y sanar la homosexualidad. Madrid: Editorial Libros Libres, 2012, p. 58-94. 
[5] LAASER, Mark R. Cómo sanar las heridas de la adicción sexual. Miami: Vida, 2005, p. 75-111.
[6] LAASER, Cómo sanar las heridas de la adicción sexual, p. 113-122.

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OBSERVAÇÃO AO PÚBLICO DE LÍNGUA PORTUGUESA: Este texto é fruto de meus estudos em língua espanhola, tendo sido originalmente apresentado como um trabalho de redação para a avaliação do 1° nível do curso de idiomas Castilla. Ele marca a tônica das e-pístolas que desenvolverei ao longo de 2013, a qual conciliará a renovação da mente e das emoções não só de um ponto de vista espiritual, mas também com o conhecimento que as neurociências nos trazem a respeito do funcionamento do cérebro, que é o hardware da alma e do espírito. Nesta oportunidade, quero agradecer ao professor Antonio Martínez Nodal pelo incentivo, ensino consistente e correção. Agradecer ao amigo Savio Prado pelo incentivo. 

Peço desde já desculpas aos meus leitores de língua portuguesa, mas, por conta do tempo apertado, não traduzi o presente texto, o que farei em tempo oportuno. Um abraço e, se puderem, repassassem este texto para os seus amigos e irmãos de fala espanhola.

Este é um desejo antigo do meu coração, que, graças a Deus, hoje se torna realidade.

A paz de Deus seja com todos.